segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Você quer brincar?

       
 
           Eu corria. Sentia o vento bater em meu rosto, fazendo meus cabelos voarem. Sinto o suor escorrendo pelas minhas costas. Estava numa floresta. Só havia arvores. Arvores e mais arvores lá. Estava perdida, não fazia ideia de pra onde correr. Ele estava atrás de mim. Não ousava olhar pra trás. O medo me dominava.  Mas não, em hipótese alguma, olharia para trás. Se eu tivesse aprendido alguma coisa nessa droga de vida foi isso. “Não olhe pra trás, nunca. Se concentre no que está a sua frente.”
           Mas, por um descuido, ou talvez por curiosidade, acabo olhando para trás. Vejo que ele está muito perto, quase me alcançando. O desespero aumenta e volto a correr. Acabo tropeçando e caindo, apenas lhe dando mais uma chance de se aproximar cada vez mais. Droga. Levanto e continuo correndo, dessa vez, sem olhar para trás nenhuma vez.
            Já era de madrugada, 2 ou 3 da manhã, talvez... Ainda havia estrelas no céu, e eu implorava para que alguma delas me ajudasse. Ou melhor, pedia para que Deus me ajudasse. Se Ele existisse mesmo, como todos dizem, Ele precisa me ajudar. Não pode me deixar morrer. Socorro!
           Acabo entrando em um galpão abandonado. Sem  saída. Cubro a boca com as mãos, para não deixar um grito escapar. Preciso sair dali, antes que ele chegue e seja tarde. Mas, não dá. Já é tarde. Ele já está ali também.  Vejo-o parado na porta do galpão. Ele sorri, mostrando todos os seus dentes podres e tortos.  Tranca a porta do galpão abandonado, colocando uma tábua de madeira nela.  Era minha única saída... Era.
          - Estou a fim de me divertir um pouco hoje. Quero jogar um jogo. – Ele disse, segurando um enorme facão. Muito afiado, por sinal. – Você quer brincar?
           Ele se aproxima. Fica cada vez mais perto. E então, sinto os lençóis de minha cama grudados em minhas pernas e no resto de meu corpo com o meu suor. Eu acordei. Estou no meu quarto, olho para o teto e suspiro. Foi apenas um sonho. Apenas um pesadelo. Um pesadelo terrível... Segundos depois, meu despertador toca. 07:00h. Hora de ir pra escola. 

                                                                                                       -  Ana

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