sábado, 7 de dezembro de 2013

Sem final feliz.



Os dois eram um casal lindo. Todo mundo dizia que ficariam juntos e diziam o quanto se completavam. E era o que os dois mais queriam. Mas o problema era que o destino não queria. Era. Eram. Esse relacionamento se baseia somente com verbos no passado. Varias coisas aconteceram, e os dois acabaram se afastando. Foram arrancados um do outro, e quem mais sofria era ela. Um casal que não teve um final feliz. Ele não poderia viver no mundo dela. E ela jamais se encaixaria no dele. Um casal que foi feito para se encontrarem, se conhecerem, se apaixonarem. Mas não para ficarem juntos.
                                                                                                          Ana            

Coração machucado

E a gente vai vivendo. Vai acreditando, vai amando, e aos poucos vai se arrependendo... Realmente, a vida é uma caixinha de surpresas. Eu paro e penso. Não sei se foi você que mudou, ou foi eu que não te conhecia. Sempre dizem: “Siga seu coração.” Mas a verdade é que ele foge de mim. Escapa, sai correndo, como se tivesse vida própria. E depois volta, vem batendo todo machucado, pra me mostrar que ainda está ali, e que foi vitima de quem não o cuidou direito. É, pois é. O meu coração ta machucado. E quando se machuca um coração é como se... Como se você desse um tiro em um retalho de seda. Vai acabar ficando lá, pra sempre. E não adianta costurar, vai ficar a marca. Sempre te lembrando, e te fazendo chorar cada vez mais. Por um segundo eu paro e penso que talvez algum dia possa dar certo pra mim. Mas meu coração machucado bate e me mostra que isso vai ser difícil. Ou que talvez demore... Mas a verdade é que dói. Dói pra caramba. E o que mais dói é lembrar que a dor vem da vez que você entregou seu coração a algum idiota, que não soube cuida-lo. Que não soube segurá-lo... Que simplesmente o deixou cair no chão, o fazendo em pedaços. E depois voltou, bagunçando cada vez mais todos esses pedaços.
                                                                                                                    Ana




Ponto final.


Menina de estrutura mediana, olhos claros, mas isso aqui é o que menos importa. O fato aqui é que ela estava cansada, cansada de ser deixada sempre de lado... Cansou de ter que correr atras e nunca alcançar seus objetivos, cansou de ser quebrada, e definitivamente cansou de viver. De uns tempos pra cá veio a interpretar a vida de uma forma diferente. Como um borrão preto e branco, no qual se enxergava bem no meio dele, no meio da escuridão, no meio do abismo. Sozinha. E um dia decidiu que essa pressão toda iria acabar, tinha tudo em mente, comprimidos, a corda e a lamina. Isso mesmo, ela iria dar um fim, iria fazer o que já era pra ter feito. Pegou o que precisava, deixou uma carta, e sentou na sua cama, supostamente pela a ultima vez, a unica coisa que a rodeava era que nada poderia dar errado, que era aquilo e pronto. Suspirou, olhou para a corda, a lamina e os comprimidos. "Vou pela forma menos dolorosa", pensou. Ela pegou um imenso copo com água, e os comprimidos. Deitou e tomou o primeiro, junto com ele se juntava diversas lagrimas, lembrava de toda a sua trajetória ate aqui, o coração da pobre menina do capuz preto doía tanto... Doía toda vez que lembrava do que machucara. Cada vez mais desesperada, ingeria os comprimidos com mais ânsia... E acabaram. Ela soltou o copo no chão, a falta de ar a dominava. Virou agarrando com suas ultimas forças o travesseiro preferido, e por fim fechou os olhos tranquilamente. Na medida em que relaxava a dor passava, e sua vida estava prestes a ir junto com tudo... Por fim, esmoreceu os braços e deu seu ultimo suspiro.
                                                                                                                       Ana

Crescer


          A menina cresceu e acabou perdendo toda a sua inocência. Viu que nem tudo é tão fácil como nos famosos “contos-de-fada”. Nada é perfeito, e nada dura “pra sempre.” Ela percebeu que há dores muito piores do que um tombo de bicicleta ou um ralado no joelho. E, principalmente percebeu que essas dores não se curam com um beijo igual as outras. Percebeu que há medos muito piores do que um fantasma ou um mostro embaixo de sua cama, muito piores do que se perder da mãe no supermercado, e com certeza muito piores do que todos os raios e trovões que lhe faziam correr para a cama da sua mãe no meio da noite.
          “Ta doendo, mãe. Ta doendo aqui dentro.” 
          Mas agora sua mãe não tem como te ajudar, não é? Crescer não é tão fácil e nem tão divertido quanto ela pensou que fosse. E agora?! Ela cresceu. E não tem como voltar. E meu Deus, como ela queria voltar a ser criança... Mas não pode. A menina percebeu que a vida não é um mar de rosas como costumava ser na infância. Você não pode mais voltar correndo pra saia da sua mãe cada vez que cair e se machucar. Força, menina. Você vai cair e vai errar dez, cem, mil vezes. Mas é preciso ter foco, força e fé. Foco no que você quer, força pra você conseguir e fé para nunca deixar de acreditar. Sua mãe terá orgulho de você.
          Vai lá. Cresça o que tem que crescer, erre o que tiver que errar, acerte o que tiver que ser acertado. E, não se esqueça: Viva o que precisa ser vivido.
                                                                                                     Ana

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quedas, tombos e tropeços


       Por várias e varias vezes eu tentei andar na linha. Eu tentei fazer tudo certo. Eu tentei ser perfeita. Mas não. Não dá. Eu não consegui. Eu paro e pego um tempo pra pensar. E se a toda a beleza que existe não estiver nas coisas certas? E se ela simplesmente estiver nos nossos defeitos? Afinal, é errando que se aprende. É caindo que se aprende a levar. E cada defeito nos torna diferentes um dos outros. E se fosse absolutamente tudo igual, não teria graça alguma.
        Eu só sei que posso errar uma, duas, dez, cem ou mil vezes. Eu vou cair, eu vou levantar e vou aprender com isso. No fim de tudo a gente fica se perguntando: Porque não deu certo? E a resposta clássica e indiscutível: Não era pra ser. Então a gente tenta outra vez. E a gente vai tentando. Risque da sua lista a opção “desistir” e vai. Foco.
       É como aquela famosa frase: “E se eu errar? Ah, arquiva aí como experiência.”       
                                                                                                                Ana

Coleção de decepções


O que fazer então quando a paciência acaba? Quando a paciência se esgota? E quando toda a razão se vai? Se possível alguém me diz, porque eu não sei. Prometi pra mim mesma que esse texto não seria sobre você, e não será.
A questão é: Pra todo lado que eu olho, eu vejo pessoas sendo o que não são. Porra, é fulano mentindo, fingindo, enganando, magoando, decepcionando. E a dor disso é irreparável. As pessoas entram na nossa vida para construir algo, ou simplesmente para destruir. E a segunda opção é consequentemente a mais freqüente.
Ninguém é responsável pelas expectativas que você cria. Então, ninguém é responsável pelas decepções e tombos que você leva. Não culpe ninguém pelas conseqüências das suas próprias escolhas. Vai, idiota. Confia, se apega, se apaixona. Você que sabe. Mas eu já vou dizendo, o final já é previsto: Você irá tomar no cu.
E caramba, eu entendo muito bem disso. Confiei, me apeguei, me apaixonei, tomei no cu. E meio que, ele é o melhor ser humano entre os piores que já conheci. Ou o pior entre os melhores. Não sei. Vi pessoas que eu amo partindo. E doeu. Não no corpo, mas na alma. Droga, prometi que esse texto não seria mais um sobre você.
Enfim, o que eu espero é que se você tem um bom coração, não entregue pra qualquer um. Não se arrisque. Tenha certeza de que aquela pessoa é a certa. E se não for, pelo menos você saberá que vai valer a pena enquanto dure e que não será só mais uma decepção para a sua coleção.
Não se perca por causa de otários que passarão pela sua vida. Você merece muito mais que isso.

                                                      Ana.

Consequências: Parte III - Final.


Tudo isso era um sonho? Era um pesadelo? Pelo amor de Deus, eu fechava os olhos e torcia para que fosse. Mas, quando os abria, via as chamas, o horror e a realidade daquele lugar. Não, para o meu triste azar, não era nem um pouco parecido com um sonho, e estava longe de ser um pesadelo. Era muito pior.
Aquilo já estava durando meses. Eu estava no inferno, e Luke estava lá também. Eu havia matado ele. E agora ele estava atrás de vingança. Ele fazia o que quisesse comigo, eu ainda era completamente apaixonada por aquele moreno de olhos escuros e não poderia fazer nada para resistir ou impedir.
       Eu era o brinquedinho dele, uma boneca viva para ele, para que brincasse comigo e depois me colocasse de volta na caixa quando estivesse cheio. Literalmente. Luke me abraçava, me beijava, abusava de mim e me agredia, de todas as piores formas possíveis e depois me deixava de lado. Para meu alivio. Mas só até a hora de a brincadeira chegar novamente.
Eu estava cansada. Já estava farta de tudo aquilo. E a hora de acabar com tudo e com todas as brincadeiras da criança havia chegado.
Tudo na vida tem um preço. Quando ainda era viva, havia me apaixonado. Havia aberto meu coração para um garoto e tinha me dado mal. Luke havia me traído, eu o matei e agora estava ali, sofrendo todas as conseqüências. Eu era a culpada, e agora precisava dar um jeito de me livrar, de acabar com Luke e de acabar com tudo aquilo.
Eu seguia por um corredor escuro, iluminado somente pela luz fraca de várias velas. Não estava enxergando muita coisa, e acabei por tropeçar em uma pedra e caindo no chão. Havia cortado minha mão e o sangue estava escorrendo. Fecho-a com força para tentar cessar o sangramento.
O corredor por qual estava andando ficava cada vez mais estreito, até que cheguei ao final. No lugar em que eu estava havia seres com enormes asas negras e olhos completamente escuros sentados em uma espécie de meio circulo. Ao fim concluí que deveriam ser todos os demônios daquele lugar. E, exatamente no meio do circulo estava ele. Se não fosse pelos chifres e pelo rabo, não iria reconhecê-lo. Era o diabo. O chefe daquele lugar. E era exatamente ele quem poderia me ajudar.
Caminho em direção a ele, e paro exatamente em sua frente. O diabo levanta a cabeça e sinto seu olhar atravessar o meu corpo, me causando arrepios.
- Em que posso lhe servir, moça adorável? – Ele me pergunta.
- Preciso da sua ajuda. É o Luke, ele...
- Eu só estava brincando. – A criatura me interrompe. – Eu sei do que você precisa. Eu sei de tudo o que acontece nesse lugar. Você quer que eu dê um jeito de afastar seu namoradinho de você, não é?
- Ele não é meu namorado. Mas, sim. É exatamente isso. E por favor, faça. Lhe dou qualquer coisa em troca.
- Que seja. Pois bem. Você é corajosa de ter vindo até mim, então pensarei no que poderei fazer.
Ele disse isso e desviou seu olhar de mim. Creio eu, que estava pensando.
- Anne...  – Ele voltou a falar comigo, e aquela voz me causou um tremendo frio na espinha. – A sua sorte é que gosto muito de você. Acompanhei toda a sua vida. Vi todos os crimes, erros e bobeiras que você fez com a sua vida. Soube desde que você nasceu que você era pra ser uma das minhas. E que não iria demorar até que chegasse aqui. Pois bem, para todos, o Inferno é um horrível lugar de sofrimento e condenação. Mas você é a minha favorita, por isso lhe pouparei do sofrimento que ele lhe causa.
Prestei atenção em cada palavra que ele disse. Será mesmo que ele iria me ajudar?
- Já sei o que vou fazer. Sei como resolver isso para você. – Ele continuou. – A maior tolice que uma pessoa pode fazer é se apaixonar. E você acabou cometendo esse erro. E agora está pagando, não é mesmo? Eu sei. Enfim, vou parar de enrolar e vou direto ao ponto. Vou criar uma maldição.
A criatura se levanta e vai até o meio do circulo. Ao chegar, todas as outras criaturas ali presentes, homens e mulheres, se levantam e abrem suas asas. Fazendo um barulho terrível.
- Invoco todo o meu poder e toda a minha força para o meio desse circulo. – O diabo disse isso e tudo ao nosso redor se encheu de chamas. Ele olhou para mim. Pega a minha mão que ainda estava sangrando e usa meu sangue.  – Tudo o que você sentir, Luke sentirá em dobro. As suas emoções, sentimentos e dores são as mesmas que a dele agora. Vá, e você encontrará o jeito de acabar com ele. Isso foi dito por mim, e isso está feito.
Após ele ter dito aquilo, as chamas aumentaram e logo após se apagaram completamente. E tudo escureceu e desapareceu.
Acordei e Luke estava ao meu lado. Ele era muito mais forte que eu, então eu não poderia fazer nada contra ele. Mas, poderia fazer comigo mesma.
Eu corri, e inevitavelmente, ele começou a correr atrás de mim também. Naquele lugar, a única forma de iluminação existente eram as chamas de velas que ficavam em inúmeros candelabros. Quando Luke não estava olhando para mim, peguei a vela de um deles e encostei na chama, queimando o meu dedo. Senti a dor da queimadura e no mesmo instante, Luke gemeu e começou a esfregar a sua mão. Sentindo a dor de volta. Sim, a maldição funcionava mesmo. Eu ainda não estava satisfeita. Peguei a vela e passei por toda a minha mão, a dor das chamas sobre minha mão era imensa. E então, segundos depois, Luke gritou. Estava com queimaduras por todo o braço.
“Tudo o que você sentir, Luke sentirá em dobro.” Relembrei as palavras que foram ditas a mim.
        - Mas o que está acontecendo? – Luke gritou, e por fim, chegou até mim.
        E então descobri o jeito de acabar com tudo isso. Peguei o candelabro em que estava a vela e quebrei ao meio, fazendo uma espécie de lança.
        - Não chegue perto de mim. – disse a ele, apontando a lança para seu peito. Olhando em seus olhos que pareciam um abismo.
        Ele riu. – O que você irá fazer com isso? Você sabe que eu sou muito mais forte que você. Nem perca seu tempo tentando fazer algo contra mim, Anne... Me poupe.
       Ignorei suas palavras e então virei a lança contra mim mesma, colocando toda a minha força naquilo e enfiando-a contra meu peito. Senti a dor, cai de joelhos e todo o meu mundo começou a girar. No mesmo instante, Luke caiu no chão e começou a berrar de dor. Ele revirou os olhos e de repente ficou imóvel. Não se mexia mais. Senti o chão abrir e tudo desapareceu novamente.
        Acordei naquela mesma sala de antes. Todos os demônios olhavam curiosamente para mim e a criatura estava parada bem na minha frente. Eu estava deitada no chão e por fim levantei.
        - Parabéns, Anne. Você conseguiu. – O diabo se dirigiu a mim. – Acabou com seu namoradinho, graças a maldição que eu criei. Não, ele não esta morto. Afinal, todo mundo que está aqui já morreu. Mas, eu tranquei ele em uma das piores masmorras daqui, de onde jamais sairá. Ele ficara sofrendo com todas as suas memórias e lembranças, se arrependendo amargamente de tudo o que fez em vida. Para sempre. E você está livre. Parabéns outra vez. E lembre-se, tudo na vida tem um preço. Tudo o que você fizer terá uma conseqüência. Então, você já sabe qual é o preço que você terá que pagar a mim. Você sabe o que fazer.
        Ouvi atentamente todas as palavras que o diabo me disse. Sim, eu estava livre. Livre do Luke. Tudo havia acabado. Ou será que tudo havia apenas começado?
         Me dirigi até o final daquele meio circulo e sentei na única cadeira vazia. Fechei os olhos e uma sensação estranha tomou conta de mim. Todos ali presentes olhavam para mim. Me sentia diferente. Poderosa. E por fim, abri as minhas asas. Eram enormes e pretas. Aquele agora era o meu lugar. Para sempre. Eu havia virado um demônio.

                                                                                                          Ana


Leia a parte I: http://garotaanestesiada.blogspot.com.br/2013/08/consequencias.html
E parte II: http://garotaanestesiada.blogspot.com.br/2013/10/consequencias-parte-ii.html

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Monotonia


          Eu sinto que todos os dias são iguais. Me desanima, me deprime, me deixa pra baixo. Eu tento fugir disso, mas é tudo tão monótono. As mesmas coisas, as mesmas pessoas, os mesmos sentimentos.
          Me vejo perseguindo você novamente. Por que eu faço isso? Será que é tão difícil assim te deixar, te esquecer? Será que é tão difícil assim não pensar em você? As horas voam, os dias passam, e a vida segue... E eu me apaixono por você. De novo, e de novo, e de novo... Eu odeio. Tudo isso. São tantos pensamentos que não saem da cabeça. Eu tento viver sem você. E toda vez que eu tento eu me sinto morto. Eu sei que é melhor pra mim. Mas as vezes acho que prefiro você ao invés do melhor. E eu continuo perdendo todo o meu tempo insistindo no igual.
          "Como alguém que mora em um castelo nas nuvens, se apaixona por alguém que não sabe voar?"
          Então vou vivendo tudo isso. Dia por dia. Mês por mês. Ano por ano. Talvez um dia, quem sabe, isso tudo passe. E eu finalmente te perca, te esqueça e... Finalmente me encontre. Pra fazer tudo diferente e mudar toda essa monotonia. Mudar todo esse vazio que insiste em ferrar comigo todos os dias.
                                                                                                            Ana

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cicatrizes invisíveis

Se machucar, por vezes deixa uma cicatriz, na maioria das vezes profundas e que doem muito. Não falo das cicatrizes que são causadas por uma queda ou por um joelho ralado, falo das cicatrizes que não somos capazes de ver, mas somos capazes de sentir. São aquelas invisíveis, aquelas que estão dentro de nós mesmos, que só nós somos capazes de reconhecer. E não há forma alguma de fugir delas, porque a verdade é que elas estão aqui dentro. E nessas um band-aid, pontos ou algum xarope não resolvem. É preciso cuidado. E é preciso tempo para se curarem. E muitas vezes, algumas acabam não se fechando, ficam como cortes profundos que parecem não terem como serem curados ou costurados. Decepções, mágoas, lembranças, mentiras e desilusões são alguns dos motivos de tais ferimentos. E aí depois de tantos ferimentos e tantas cicatrizes causadas por eles, você começa a se cansar... Se cansar de cicatrizes que não se curam, que por mais que você tente, elas continuam ali lembrando de tudo que lhe aconteceu. De tudo de ruim, que lhe aconteceu, isso porque as coisas boas não deixam cicatrizes, e é por isso que conseguimos chorar mais de uma vez pelo mesmo motivo, e não conseguimos rir mais de uma vez de uma piada contada mais de uma vez. O tempo é o remédio? Talvez. Quem sabe. Com o tempo algumas feridas fecham deixando todas as cicatrizes ali presentes. E com elas, aprendemos que nada na vida é fácil e que depois de tantos tropeços, tantos tombos, tantas mágoas e decepções, podemos dizer que tivemos força. Que não desistimos. E que sobrevivemos. Cada cicatriz carrega uma dor, carrega uma história. Que só o seu dono pode contar.
                                                                                                        Ana e Carol

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Me deixe ir


          No dia em que encontrei você, eu achei que poderia ser diferente. Mas, eu perdi o meu caminho. Você se foi. Ou melhor, você me deixou ir. Eu deveria ter te dito para você ficar, mas não disse. Me leve com você? Não. O que é verdadeiro não sente vontade de ir embora. E não posso te impedir, eu não sou perfeita, eu não sou um anjo, eu não tenho asas para voar para perto de você. Éramos você e eu. Parecia durar pra sempre, mas não foi assim. Só queria fechar os olhos e esquecer tudo o que aconteceu. Queria fechar os olhos e quando abri-los ver que tudo não passou de uma simples mentira. Ver que você ainda estará aqui comigo, como tinha prometido. Mas não. Abro os olhos e vejo que a mentira foi você. O tempo passa tão rápido mas nada é eterno. Todos cometem erros, e o pior erro que cometi foi você. É como se eu estivesse presa em uma caixa, ou em algum baú. E apenas você tivesse a chave para abri-lo. Já chega.
         Apenas vá, e me deixe ir...
                                                                                                      Ana

Parabéns, vocês a destruíram.

                                                                                           
         Ela tinha caído. Tinha desmoronado. Tinha sido pisada tanto que nem se levantava. O coração da garota foi tão quebrado, pisado e humilhado que, em cada canto por aí havia um dos cacos. A vida não é fácil. É só pra quem tem coragem. É pra quem tem sorte. Ou você pisa, ou você é pisado. Ou você corta, ou você é cortado. Ou você magoa, ou você é magoado. Não existe meio termo, não existe meio a meio. Ou você é forte, ou você é fraco. E ela tinha cansado de tentar ser forte. Não dava mais. Ela tinha jogado a toalha. Todo mundo fez ela de degrau. Pra pisar em cima e subir através dela. Era isso o que vocês queriam? Pois então parabéns. Conseguiram a destruir. Ela não existe mais. Ela se tornou apenas uma memória. Se tornou uma lembrança, que com o tempo será esquecida. Fim.
                                                                                                      Ana

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Fuga


          E eu acho que nasci pelo avesso... Eu sei o que é dar certo, e sei que isso não acontece comigo. Eu sou um problema, que não consegue ser resolvido. Tenho mania de esperar demais de pessoas de menos. Tenho mania de ter expectativas demais... De me iludir demais... De me ferrar demais. E eu sei, que nem sempre é possível concertar tudo o que eu fiz. Quero fugir. Vamos fugir juntos? Fugir desse acumulo de duvidas, incertezas, decepções e de todos os erros. Se eu for embora algum dia, será pra me proteger. Me proteger de tudo o que me atrasa e de todas essas pessoas apontando o dedo na minha cara e me dizendo que eu não sou capaz. Já chega, não é? Então fuja. Fuja comigo. Fuja daqui. Fuja pra bem longe. Pode não ser a melhor saída, mas irei fugir. E acredito que, algum dia, talvez, quem sabe, ficará tudo bem...
                                                                                                       Ana

Saudade dói?


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. TTrancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
                                                                                      Autor Desconhecido

Leitura



Hey, você aí. Você gosta de ler? Eu gosto. Eu amo. Ler é viajar sem sair do lugar. É sentir cada emoção de cada personagem de cada jeito diferente. É sentir o cheiro dos livros e se deliciar com aquilo. É sorrir e chorar com cada paragrafo, com cada história diferente, com cada personagem e com cada página virada. É chorar e "morrer" a cada final. Ler é uma experiência incrível. Exercita sua mente e melhora o seu ser, o seu interior. Minha mãe sempre diz: "Menina, toda vez você tá com a cabeça enfiada nesses livros, qual é a graça disso tudo?" Mas sabe ela que a leitura é a melhor forma de fugir dos problemas. Então, você aí, é, você mesmo, pare de cuidar da vida dos outros e vá ler um livro. Aproveite e faça parte da vida dos personagens de lá. Sorria, chore e viva junto com eles. A leitura é a melhor forma de ignorar a vida.
                                                                                                         Ana

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Escolhas


         E se você pudesse voltar no tempo? Apenas para concertar tudo o que falou, tudo o que pensou, tudo o que fez. Se pudesse voltar e fazer tudo diferente? Eu voltaria. Porém isso não é possível, não é?
         E se você pudesse ver seu futuro e escolher o que fazer? Se pudesse escolher de que jeito que sua vida vai ser? Se você pudesse ver tudo o que iria acontecer e ter a chance de mudar tudo? Eu escolheria. Eu mudaria. Porém isso também não é possível.
         E eu me sinto tão distante toda vez que eu me lembro do que aconteceu. Queria poder voltar para concertar, queria poder ter a chance de mudar tudo. Queria poder ter visto o que iria acontecer para simplesmente fazer tudo diferente e não deixar nada ocorrer daquele jeito. Mas eu não posso. E em relação a isso não há nada a ser feito.
        O tempo passou e eu percebi que nem tudo na vida é feito de escolhas. Nem tudo é do jeito que você quer. O destino quis assim e aconteceu. As vezes você aprende com seus erros. As vezes não. Ou você aprende, ou você se arrepende.
        E eu queria poder voltar no tempo, para ter a chance de não errar... De não me arrepender.

                                                                                                     Ana

Abismo


A beira de um precipício, um abismo, um lugar alto que parece não ter mais fim, parecido com aqui dento de mim. Um vazio interminável, algo inacabável, uma coisa inalcançável. Tem vezes na vida que você precisa de apenas um passo para acabar com todas essas duvidas, com toda essa indecisão, com todo esse embaralho de sentimentos que você não quer mais sentir. Você consegue ver o meu coração¿ Consegue ver o lugar escuro, gelado e sem sinal de qualquer vida que ele se tornou? Consegue ver o abismo aqui dentro? Eu também não consigo. Mas eu sinto. Eu acho que nasci pelo avesso. Nada mais se encaixa. É ruim. É triste. Dói. Não é mais suficiente. Quantidade infinita de coisas erradas em mim. A chuva cai e eu eu tento me misturar a ela. Em cima de um penhasco. A beira de um abismo... Resta só um passo. Só um pulo... Vai?

                                                                                                      Ana

Escrever


Por que escrevo? Eu não sei. Não é tão fácil pegar tudo o que você sente e colocar em uma folha de papel, ou em um documento do Word. Agora mesmo me vejo olhando para uma página em branco no Word sem saber o que escrever. Escrevo pra tentar tirar e organizar tudo o que tá jogado e espalhado aqui dentro. Não escrevo certo ou errado. Bem ou mal. Escrevo o que sinto, e nem sempre o que sinto é bonito.

                                                                                                   Ana

E esse é mais um sobre você...


E eu queria não pensar em você. Queria não escrever sobre você. E principalmente queria parar de me imaginar junto a você. Eu tinha 14 e você 17. Você vivia a vida do seu jeito e eu do meu. Sabe quando você faz tudo por uma pessoa? Então. Eu fiz, eu mudei tudo, e me arrependo. Aconteceu tudo por acaso, e acabou de mesmo jeito. Como uma bruxa ou uma fada com sua varinha fazendo tudo desaparecer. Plim! Acabou. Desapareceu. Já era. Fim. It’s over. Você era uma puta perda de tempo. Um tempo que eu perdia quantas vezes fosse necessário. Cada lugar, cada música, cada texto, tem um pouco de você e eu nem sei por quê. Eu ando perdida por aí, esperando a hora certa pra me encontrar. Pra conseguir me encontrar longe de você. Vivo por aí te esquecendo e te lembrando, te querendo e não querendo, te odiando e te amando. Eu finjo que te ignoro, te desprezo, te odeio e não corro mas atrás de você. Só que, mesmo não querendo, eu me importo com você. Mesmo não querendo, eu ainda procuro saber de você. Mesmo não querendo, eu amo você. E esse acaba sendo mais um pra você. Você, você, você. É tudo sobre você. Fazer o que?! E eu te peço... Se cuida. Porque eu já não posso mais cuidar de você.

                                                                                          Ana

Para uma amiga...


Durante nossa vida nós encontramos varias pessoas. Fazemos novos amigos, vivemos aventuras com eles e imaginamos que toda essa amizade que fora construída em tão pouco tempo será eterna até o momento que tudo se acaba, então passamos a conhecer novas pessoas e tudo se repete. Mas existe sempre as pessoas que nós nos identificamos ao conhecê-las e que com elas nos sentimos seguros, seja apenas em um momento de silencio ou em uma conversa boba. E pra mim foi você, Mariana. Você me trouxe uma paz interna e passei então a todos os dias querer conhecer você vez mais. Falar com você era (é) rotina, e sinto um vazio quando não o faço. Não acredito que para se construir uma amizade seja necessário uma historia de anos, porque, a nossa tem poucos meses, né¿ O sentimento de amizade é um sentimento muito complexo que até hoje nunca conseguimos explicar o que é, mas mesmo assim todos, de certa forma, entendemos e sentimos. E HOJE É O SEU GRANDE DIA! Achou que eu ia esquecer? Nem pensar. 15 anos? Sua idosa! Haha Parabéééééns! Muitas felicidades, muitos anos de vida, muita sorte, muita força e muito amor. Eu te amo. Se ainda tô aqui, inteira (por partes) e viva, foi por sua causa. Se ainda não desisti... Enfim. Certas palavras, atitudes, pessoas e até mesmo o destino já tentou separar a gente... Mas o meu amor por você continua aqui, intacto. Já tentei várias vezes, mas nunca cheguei a ser realmente boa com as palavras... Porém, tô aqui tentando. “Você pode me chamar a qualquer hora, eu vou estar aqui.” Só não deixa ninguém te tirar de mim, e não deixa ninguém me tirar de dentro de você. Toda essa distância separa a gente. E isso acaba sendo a pior coisa. Só que depois de tantos sorrisos, tantas conversas, tantas lágrimas, tantas brigas, tantos conselhos, tantas promessas... Essa distância não faz diferença nenhuma. Enfim, parabéns pra você outra vez. E só mais uma coisa... Escreve, desenha e anota o que eu vou dizer... Ainda vai chegar o dia em que vou te abraçar bem forte e te dizer o quanto eu te amo. Feliz Aniversário.

                                                                                                      Ana

sábado, 5 de outubro de 2013

Se já foi nunca mais volta...



               Por mais que eu gostaria que o passado não existisse, ele ainda existe. E eu preciso aprender a aceitar que o que já se foi nunca mais volta, e que eu errei e não tem como mudar. Acho que devo ter nascido pelo avesso... Eu sei o que é dar certo, e sei que isso não acontece comigo. Todo mundo julga todo mundo. As pessoas insistem em me julgar. Insistem em apontar os erros na cara e em atacar as pedras. Mas, pera aí gente... Eu não sou perfeita. Ninguém é. Ninguém nunca vai ser. Cada pessoa é diferente, não podemos julgar sentimentos que não sentimos, atitudes que não entendemos.
              Tudo o que eu preciso é aprender a conviver com todas essas duvidas, argumentos, razoes, emoções... E perceber que nada do que já foi voltará a ser como era antes. Um dia você vai olhar pra trás e finalmente perceber que nada acontece por acaso. É perder pra ganhar. É errar pra aprender. Com o tempo, a gente aprende a abrir mão de muita coisa que não vale mais a pena. E vê que o que a gente realmente quer está lá na frente... Então, eu desejo muito foco, MUITA força e muita fé, pra correr atrás de todos os objetivos e deixar o passado lá pra trás.

                                                                                               - Ana

Olho por olho, dente por dente.


          O que fazer quando você não sabe mais o que quer? Não sabe mais o que fazer? Eu mudei. Mudei meu jeito de pensar, agir, de falar. Abri mão de muita coisa. Por você. Lamento ter sentido tanto por uma pessoa tão de menos. E aí acabou. Mas como acabar algo que nunca começou? Você, de verdade, nunca se importou comigo. E isso… isso é o que eu não precisava descobrir. Eu descobri. E eu sinto muito. E o que fazer então com esse coração partido? Com o medo mantido? E com esse vazio que não tende a passar? Chega um ponto em sua vida que tudo o que você quer é desistir. Mas sabe que não pode fazer isso. Porque uma pessoa como eu não pode desistir por uma pessoa como você. Eu tentei de todas as formas, ser o melhor que eu podia ser. Mas, parecia que nenhum dos meus esforços, foram suficientes para você. Eu não sei mais como persistir na felicidade, simplesmente, vou roubou essa minha capacidade. Eu ainda estou aqui. Derramando lágrimas. E você? Por aí, sabe lá Deus o que você está fazendo. Mas como é que eu não vou me importar com você? Como eu posso dizer sinceramente, que eu não me importo mais com você? Me diz? Explica porque você fez isso. Mas agora eu tomei uma decisão. Apesar de toda dor, de tudo que aconteceu, eu quero esquecer cada detalhe mínimo que possa atrapalhar o meu sorriso a minha alegria. Eu sou mais do que só a garota que amou demais e se magoou, porque ela também sabe machucar. Mas ela é diferente e faz as coisas como diz o dilema: "Olho por olho, dente por dente." As vezes, quando alguém nos machuca só pensamos nas coisas ruins que aconteceu, porque depois do erro, nada será esquecido.

                                                                                  - Ana e Carol

A roda-gigante



         Enquanto a escuridão da noite se aproximava, com de costume, toda a cidade se preparava para a festa. Nas janelas das casas do beco, nos bancos cinzas e velhos das praças ou nos balcões da lanchonete dos melhores salgados do mundo. O assunto era o mesmo, e a ansiedade das pessoas, também.
      Valentina também estava ansiosa para a exposição. Mas não pelas bebidas ou pelo show, como a maioria dos seus amigos, e sim pelo cheiro de churros quentinhos e pelas infinitas bancadas de doces que enfeitavam e deixavam toda a rua com um ar diferente.
       Todos já estavam prontos quando ela finalmente resolveu entrar no banho. Odiava ser apressada, então preferia ficar sempre por ultimo. Não ligava de chegar sozinha nos lugares; pra falar a verdade, ate gostava.
       Sua pele branca e pálida se tornava levemente rosada no inverno. Ao se despir no banheiro, ficou alguns minutos se encarando no espelho da pia. Talvez ainda não tivesse se acostumado com o seu novo reflexo. Talvez ainda não soubesse, mas Valentina já não era a mesma garotinha de sempre. Pelo menos não por fora.
         Desde o ultimo ano, seus cabelos encaracolados e ruivos cresceram, e os seus olhos, que antes só expressavam meiguice, agora, com um pouco de rímel, esbanjavam sensualidade.
         No embaçado do vidro do box, sua frase predileta: “Life keeps going, with or without you”.
         Depois do banho, pôs seu vestido florido preferido, sua jaqueta de couro e procurou por toda parte sua sapatilha azul de camurça com laço. Para as entendidas de moda, aquele não era um look perfeito, mas para Valentina aquele era o look ideal.
         Fechou a porta e, quando chegou na esquina da rua de casa, voltou para conferir se a tinha trancado. Enquanto caminhava até a rua da exposição, era impossível não se lembrar do que acontecera ali no ano interior. Para fugir dos seus pensamentos, ligou o fone de ouvido no ultimo volume e cantarolou até o local sua musica predileta.
         A rua estava como costumava estar. Maçãs do amor, cocadas e pipocas por toda parte. A iluminação amarelada, que ficava por conta das diversas luzes espalhadas pelas arvores, também estava presente. Enquanto olhava para os lados e caminhava pela rua em busca de um rosto conhecido (e que a fizesse ter vontade de segui-lo), já comia um churro com doce de leite, seu predileto.
         Tudo ia bem até avistar de longe o grupo de amigos de Eduardo. O motivo pelo qual estar ali era um desafio. Desviou rapidamente e entrou para o parque sem que a notassem. A idéia de ele ter vindo para a festa a assustava. Era uma sensação nova e estranha, que apertava o peito, mas que a fazia imaginar coisas. Ter esperanças.
          Enquanto se recuperava daquela maldita sensação, entrou em uma barraca de bijuterias e comprou algumas pulseiras. Valentina não usava brincos ou colares, mas amava preencher seu pulso com coisas aleatórias. Dizia que cada uma delas tinha um significado diferente. Comprou aquela pra registrar a primeira exposição sem ele. Não sem o amor, apenas sem ele.
         As luzes em movimento a atraíam tanto que acabou se esquecendo de encontrar os outros. Caminhou então em direção ao seu brinquedo preferido, a roda gigante.
        As filas estavam grandes, mas não maiores que a vontade de enxergar tudo aquilo lá de cima. Desde que tudo aconteceu, ela nunca mais havia subido tão alto. De alguma forma, a altura a fazia se sentir bem. Como não estava acompanhada, nos minutos em que ficou esperando, buscou um rosto conhecido nas pessoas ao seu redor. Sem sucesso, aguardou a sua vez e torceu pela sorte de que fosse alguém, no mínimo, silencioso.
        Enquanto olhava para o lado do carrossel e sorria ao ver as crianças se divertindo, sentiu um perfume familiar no ar. Em menos de cinco segundos todas as lembranças voltaram, e aquela sensação de antes também. Era ele. Ninguém mais na cidade usava tal perfume importado. Era o dele.
        O destino às vezes gosta de brincar com a nossa coragem. Talvez ele queira saber se nós sabemos diferenciar passado, presente e futuro. Saber se nós realmente queremos que essas palavras signifiquem coisas diferentes.
        E, naquele momento, ela desejou que não. Que nenhuma das suas lembranças fossem verdade, que o Eduardo se virasse e dissesse que o cara dos churros colocou doce de leite a mais porque ele disse que sua namorada era a mais linda da festa. Mas nem ele se virou, nem ela teve forças pra dizer ou fazer algo. Ficou ali parada e sentindo cada parte do seu corpo doer, como se ele fosse uma espécie de Kryptonita (aquela do Super-Homem).
         A fila a frente deles já estava quase acabando quando o maquinista perguntou para o jovem de cabelos claros e olhos negros se ele tinha companhia. A resposta foi não, então o barbudo de aparência cansada olhou para Valentina e fez a mesma pergunta. Sem dizer nada, ela apenas balançou a cabeça negativamente.
         - Então vocês vão juntos.
         Em menos de um segundo, essa frase se repetiu varias e varias vezes na cabeça da jovem garota ruiva. Suspirou fundo, mordeu os lábios e, finalmente, encarou o rapaz.
         - Por mim, sem problemas.
         A reação dele foi justamente a contraria a dela. Sem conseguir disfarçar a surpresa de tamanha coincidência, ele, ainda sem acreditar no que estava acontecendo, caminhou ao lado da garota até os assentos do brinquedo.
         Ela desejou alguém silencioso, e conseguiu. Nos primeiros minutos, antes de o brinquedo realmente funcionar, ele não disse absolutamente nada. Apenas a olhou fixamente, sem acreditar que aquela era “sua Valentina”.
         Um ano pode não ser muito tempo, mas é o suficiente para uma ferida de amor parar de sangrar. A cicatrização pode ser longa e dolorosa, mas basta um olhar para que as centenas de textos ele-não-te-merece ou você-não-foi-feita-pra-ele percam todo o seu sentido.
        Valentina tinha muito o que dizer, mas, naquele momento, queria mesmo era escutar. Uma explicação que desse sentido a tudo. Ou, sei lá, uma certeza que a fizesse nunca mais querer olhar na cara dele.
         A roda-gigante então estalou e começou a rodar. A altura fazia tudo aquilo parecer ainda mais surreal. As pessoas lá embaixo ficavam pequenas, e ele continuava ali, bem na sua frente, do mesmo tamanho de sempre.
         - Eu senti a sua falta durante todo esse ano.
         Parece que ele não veio para explicar. Veio para confundir ainda mais.
         - Pois, pra mim, você é indiferente.
         Vai encenar aquela personagem durona que não acredita no amor? Sério, Valentina?
         - Sei que isso é mentira. Você não deve imaginar, mas eu ainda leio seus textos, eu sei o que você sente, sei como você se sente. E, acredite, a dor de causar tudo isso é talvez maior do que a sua.
         - Parece que alguém ainda não perdeu aquela mania de sempre se fazer de o coitado da história.
         - Não, você não entendeu. Só quero que saiba que também dói em mim.
         - Isso não me importa. Quero mesmo é que você e todas as suas pseudoconsequências se danem. A vida é uma questão de escolhas, e, nesse mesmo dia, um ano atrás, você escolheu a opção que me tirava de vez da sua vida.
         - Sabe, Valentina, eu conheci você quando ainda era um garotinho. Sempre foi a menina da minha vida. Te achava diferente de todas as garotas com quem costumava lidar lá em São Paulo, então minha paixão cresceu sem que eu pudesse perceber. Acredito que isso também já tenha acontecido com você. Quando nos demos conta, já estávamos nos beijando e mandando mensagens carinhosas durante o período das aulas. Tudo isso era incrível, mas, com o tempo, nasceu em mim, paralelamente, uma vontade de saber como era vida sem você.
         - Não acredito que você está dizendo isso – disse a jovem enquanto sentia uma lágrima escorrer.
         - Calma. Deixa eu terminar, ok? Eu jamais teria coragem de trair você. Então, resolvi, antes de fazer qualquer coisa, terminar. Fiz isso no pior momento de todos, no pior lugar de todos. Foi no parque em que demos o nosso primeiro beijo.
         - E o último.
         - Eu tinha bebido com os meninos, jamais teria feito isso aqui e na frente de todo mundo. Mas aconteceu. E eu fui sincero com você, disse que não queria mais pra fazer você sofrer menos. Odeio esse tipo de cara que não quer mas continua iludindo.
         - Oh, você tem valores. Que bonito.
         - Eu não estou aqui pra fazer com que você volte pra mim, eu estou aqui pra que você me entenda. Depois que voltei pra casa daquelas férias, percebi a burrada que havia feito. Talvez eu tenha tido que te perder pra me lembrar do quanto você é diferente. Que eu não tenho motivos pra querer descobrir como é a minha vida sem você, porque a minha vida é você.
         - Então por que diabos você não veio me dizer isso antes?
         - Não é tão simples como parece. Eu não sou tão corajoso quanto você, garota, acredito que saiba disso. Passei todo esse tempo visitando seu blog, lendo seus textos e não me perdoando por ter feito isso, entende? E se eu não me perdoava, por que você faria isso?
        - Porque eu te amo. Só por isso, seu idiota.
         Então, quando ela terminou de dizer isso, a roda-gigante parou lá no alto. Eles se olharam, e o silencio os envolveu novamente. Ninguém precisava dizer mais nada, só fazer. Ele fez. Beijaram-se lentamente. E fizeram com que o último ano não passasse de uma simples descida da roda-gigante e, vejam só, agora eles estão lá em cima, e o mais importante, juntos.
         No outro dia, encontraram perdida, bem embaixo do brinquedo, uma pulseira de pedras brilhantes. Eu, como mera observadora dessa história, espero que nunca mais a encontre.

                                    - Crônica tirada do livro Depois dos Quinze, da Bruna Vieira.

Consequências: Parte II


          Acordei em algum lugar estranho, não fazia idéia de onde estava. Minha cabeça latejava de uma forma que parecia que ia explodir. Parecia que meu cérebro se revirava em minha cabeça. Estava tudo branco. Paredes brancas, chão branco. Corri as mãos pelas paredes lisas, tentando achar alguma coisa, mas não havia nada. Era um lugar vazio, sem absolutamente nada. Tentei gritar, mas da minha garganta não saía som algum. Uma horrível agonia me consumia. Continuei andando, e então eu caí.
         Fiquei caindo por muito tempo, num abismo sem fim. Até que, cheguei ao chão. Minha queda foi horrível, com certeza tinha quebrado todos meu ossos, ou pior, com certeza a morte teria sido inevitável... Mas, não. Eu já estava morta. Apenas levantei. Não sentia nada, nenhuma dor. Até a minha dor de cabeça havia passado. Comecei a andar. Examinei o lugar em que estava e o desespero chegou. O céu era uma escuridão, sem estrelas. A única forma de iluminação daquele lugar eram enormes labaredas de fogo. Por todo o lugar. Fogo, fogo e mais fogo. Pessoas acorrentadas, outras pessoas gritando. Eu não entendia porque, mas algumas estavam se divertindo. Mas eu conheci aquele lugar. Era o inferno. Eu morri. Eu fui para o inferno.
          Ouvi uma gargalhada terrível, que arrepiou todos os pelos da minha nuca.
          - Anne, minha linda! Finalmente! – Conheci a voz de imediato. Luke. Ele estava aqui. Olhei para todos os lados, mas não o vi. Até que, ele saiu detrás de uma labareda de fogo. Andava em minha direção com um sorriso enorme no rosto.
          Droga! Saí correndo. Foi em vão, ele apareceu em minha frente, do nada. Luke me empurrou com uma força extraordinária, e voei em direção a uma parede de concreto. Bati minhas costas na parede e cai no chão. Quando consegui me recuperar, olhei para o lado. Havia pessoas acorrentadas. Algumas olhavam pra mim com um olhar terrível de desespero, outras gritavam... Outras simplesmente não se mexiam...
          Luke chegou a mim muito depressa e me acorrentou, igual as outras pessoas. Tentei com todas as minhas forças me soltar, mas não consegui. Olhei para Luke. Ainda não entendia nada do que estava acontecendo.
          - O que você quer? Eu não estou entendendo nada. Por que estou no Inferno?
          Ele soltou uma gargalhada. E então olhou pra mim com desprezo.
          - Aqui é o seu lugar, Anne. Pense em todas as coisas que você fez. Você não achou que depois de tudo, você iria para o Céu, não é? Me poupe, querida. Nosso lugar é aqui. No Inferno. – O sorriso dele aumentou. Ele pegou meu rosto entre as mãos, e aproximou o dele do meu. Podia sentir o hálito quente da boca dele. Por um instante, pensei que ele iria me beijar. Mas, não. – É bom ver você, amor. Estava com tanta saudade...
         - Me solte! Não encoste em mim! Você é um traidor. Eu confiei em você, confiei com todas as minhas forças. Você me traiu. Queime no inferno, Luke. – Ele soltou outra de suas gargalhadas.
         - Não sei se você percebeu, mas nós já estamos no Inferno, doçura. – Ele me olhava nos olhos... Aqueles olhos, tão escuros como um abismo. Um abismo em que eu me perdi. – Você é tão ingênua, Anne. Tão boba. Você mereceu. Não se deve confiar em ninguém. Qualquer pessoa trai qualquer pessoa. Não importa. E em momento nenhum eu pedi para você confiar em mim. Confiou porque é boba, ingênua, eu já disse... Mas isso não importa agora. – O rosto dele continuava muito próximo do meu. - Você sabe o quanto esperei por isso, Anne? Faz idéia do tempo que eu esperei pelo dia de você aparecer aqui? Desde o dia em que você atirou em mim. O diabo prometeu você pra mim. E eu prometi que eu vou fazer você sofrer. Nós temos a eternidade toda juntos agora. Daqui pra frente só vai piorar, vai por mim. O bom dessa vida, é que quando você morre, é de uma vez. Daqui do Inferno não tem jeito de fugir. Anne, minha linda... Você me matou, você vai pagar. Nessa vida, tudo o que falar ou fizer, terá uma conseqüência.

                                                                                            - Ana




Leia a parte I aqui: http://garotaanestesiada.blogspot.com.br/2013/08/consequencias.html

sábado, 31 de agosto de 2013

Não vai passar, só mudar


          "Eu esqueci você." Essa é com certeza a maior mentira que um dia diremos pra alguém. Sabe por quê? Sentimentos não morrem nem são esquecidos, eles apenas se transformam em outros sentimentos. Tipo mutação. O tempo tem sim o poder de mudar o nosso foco, mas ele não apaga uma história. Muito menos as lembranças. Ele apenas te mostra que você é forte o suficiente pra continuar, mesmo com tudo isso acontecendo aí dentro. Aí, então, outras coisas acontecem.
          O amor torna a indiferença impossível. Quero dizer, as pessoas com quem você realmente um dia se importou nunca serão indiferentes. Cada uma delas despertará uma sensação única quando você, por exemplo, encontrá-la por acaso enquanto aguarda, em um final de semana qualquer, na fila do McDonald's. Vai queimar, sufocar, arder e, às vezes, tudo isso ao mesmo tempo. O que vai mudar é que, quando acontecer, você saberá sem sombra de dúvida o que é realmente bom pra você.
          Sabe, já ouvi muitos relatos de pessoas que tentaram deletar suas próprias lembranças. Aos poucos, elas foram se deletando também. A música predileta. O filme que mais fez chorar. Aquela fotografia com ele em que você saiu super bem. Nada disso pode mais ser lembrado ou guardado? Está errado.
         As lágrimas importam tanto quanto os sorrisos. Você é tudo aquilo que viveu até este exato momento. E o que em maior parte te fez evoluir foram as porradas e os tomos que a vida te deu. Que te fizeram passar dias na cama sem vontade de dormir ou comer. Que te fizeram pensar milhares de vezes em tudo aquilo que aconteceu. Que te fizeram admitir ou desistir. Que te fizeram se transformar.
          "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." Talvez você devesse levar as aulas de química mais a sério.  


                            - Crônica tirada do livro Depois dos Quinze, da Bruna Vieira.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Direção

            Segundo trimestre, um dia de aula normal. Estava sentada em minha carteira na sala de aula, quieta, esperando o professor chegar. Esperando a aula começar. Meus pensamentos estavam em outro lugar quando ele finalmente chegou. Voltei ao mundo quando senti minha amiga me cutucar. Era hora da chamada. Presente, respondi quando chamou meu nome.
            O professor se levanta e distribui a todos os alunos um pequeno pedaço de papel. Um retangulo cortado perfeitamente.
            - Pessoal, quero que me digam o que vocês querem nesse exato momento. Nesse exato dia, nessa exata vida... Que seja. Mas... Uma palavra. Descrevam o que mais querem em apenas uma palavra. Vocês tem a aula toda pra pensar no que escrever.  Podem começar. Estão liberados depois disso.
            Alguns alunos riram, pensaram rapidamente e logo escreveram.  Entregaram o papel ao professor e por fim saíram. Mas eu fiquei. Eu não sabia o que queria.
             Explicações. Tô precisando entender o que acontece comigo. Tá difícil.
             Atitudes. Porque sempre espero demais, de pessoas de menos.
            Tempo. Pra fugir de tudo, esquecer dos problemas, das pessoas.
             Paz. Pra minha cabeça, pro meu coração.
            Sinceridade. Porque só vejo mentiras, mentiras e mais mentiras. Vejo pessoas sendo o que não são.            
             Amor. Mas um que seja de verdade, viu. Um que não vá embora, nem seja arrancado de mim no final.
Mudanças. A gente muda o tempo todo, não é¿ Quero respirar novos ares, sentir novas sensações e mudar. Porque é bom. Porque faz bem.
Respostas. Para todas as minhas duvidas. Que são tantas.
Sorte. Uma dose bem grande, por favor. Só por precação.
O tempo passa. Ouço o tic tac do relógio e continuo não sabendo o que escrever. O sinal bate e por fim, escrevo a tão difícil palavra.
Direção.
É. É exatamente disso que preciso.
Direção pra viver a minha vida do jeito certo. Sem falsas expectativas, sem falsas esperanças, sem falsos amores. Direção pra conseguir tudo o que quero, sem me importar com alguém dizendo do que sou ou do que não sou capaz. Direção pra fazer as coisas certas, mas também pra, quem sabe, errar uma, duas, dez vezes. Direção pra saber o que dizer, saber confortar quem precisa, saber arrancar sorrisos das pessoas que são importantes.
Mas deixa que destino é o responsável. Afinal, ninguém sabe o que vai acontecer daqui alguns, dias, meses ou anos. Deixa o destino escolher o que vai ser. No final, tem de valer a pena.

                                                                                                      - Ana

Resumindo

Então crescemos, e aquele nosso amor platônico da escola se transforma no cara mais babaca que já conhecemos.  O colegial acaba, e finalmente a hierarquia dos grupinhos populares vai por agua abaixo. Malhação vira mais um programa chato da Globo. Nosso animal de estimação começa a não ter mais tanta disposição.
Nossas melhores amigas já não são tão melhores assim.
Mudamos de gosto musical. Percebemos que as primas quem eram bebês há até pouco tempo já sabem dançar o funk do momento. Então amamos um cara. Logo depois aprendemos a lidar com a distância. Conhecemos outro cara. Aí aprendemos a dizer adeus. Então as preocupações do futuro se transformam e deixam de ter a ver com garotos. Temos que decidir o que fazer da vida. Alguém que amamos muito é arrancado dela.  A solidão deixa de ser só uma palavra.
Começamos a preferir os livros sem figuras. Então vamos pra faculdade.  Tentamos nos misturar e acabamos esquecendo o que aconteceu na noite passada.  Depois de alguns meses, paramos de achar graça nas coisas que antes eram incríveis e divertidíssimas.
Terminamos a faculdade e vamos em busca de um bom emprego. Enfrentamos horas sem dormir e na frente do computador. Alguém diz que não somos boas o suficiente.  Ligam pra nos informar que o nosso animal de estimação partiu. Então mudamos de emprego, de cidade, de cabelo, de guarda-roupa, de carro, de melhor amigo e, mais uma vez, mudamos a maneira de ver a vida.
Fechamos os olhos e vemos que as coisas estão mais loucas do que nunca. Aí lembramos que já passamos por tudo isso que acabei de contar. Então, finalmente, adormecemos e acordamos sem nos lembrar da complexidade da coisa mais simples do mundo: viver.

                                     - Texto tirado do livro Depois dos Quinze, da Bruna Vieira.