Ela abre os olhos. Não consegue mais dormir. Olha para o
teto do quarto. Pensa um pouco na vida. Pensa na aposta que fez a muito tempo
atrás, e pensa no que ela se tornou agora. Depois de muito tempo, decide se
levantar. Calça os chinelos, passa os dedos pelos cabelos embaraçados,
desfazendo todos os nós. Abre a janela, sente o calor do sol arder em seu
rosto. São 10 da manhã.
Ela se para na frente do espelho, muito
insatisfeita com o que vê. Levanta sua blusa e pega nas “gordurinhas” da sua
barriga. Começa a chorar.
“Gorda... Ninguém nunca vai gostar de você
desse jeito.” Sussurra pra si mesmo, abaixando a blusa.
Mas, o dia
continua... Ela desce as escadas, e vai até a cozinha. Pega um copo, o enche
com água e toma um gole.
“Beba
devagar. É só isso que você vai consumir o dia inteiro.” Ela pensa.
- Bom dia! –
Diz sua mãe, entrando na cozinha. – Está com fome? O que vai querer comer? –
Sua mãe sorri.
- Bom dia,
mãe. – Ela responde. – Não, não estou com fome. Depois eu como alguma coisa. –
Mentira. Ela está morrendo de fome. Mas se recusa a comer.
- Não,
filha. Que isso. Coma alguma coisa. Por favor. – Sua mãe diz, lhe entregando um
bolinho. - O dia será longo hoje. Quer um pão? Um pedaço de torta?
“Ai
meu Deus...” Ela pensa.
- Não, mãe...
Comerei o bolinho. Já está ótimo. – Ela força um sorriso. E dá uma mordida. Se
sentindo culpada, engole.
- Ok. Vou
trabalhar, já estou saindo. – Pega sua bolsa e dá um beijo na testa da filha. –
Amo você.
- Também
amo você, mãe. – Ela responde. Espera sua mãe sair, para jogar o resto do
bolinho na lixeira.
Sai
correndo escadas acima. Entra no banheiro, se ajoelha na frente da privada. E
começa a vomitar tudo o que está em seu estômago. Enxuga uma lágrima que
insistiu em cair e escova os dentes. Sobe na balança. Vê seu peso e fica muito
deprimida com o que vê. Não tinha emagrecido quase nada. Droga.
Volta para
seu quarto e vê o seu reflexo no espelho novamente. Para ela,
estava muito gorda. Muito acima do peso.
Precisava emagrecer. Foi uma aposta. Só assim ela estaria feliz. Não comia
quase nada. E se comia, vomitava tudo quando ninguém estava por perto. Negava
toda fez que lhe ofereciam comida, mesmo estando quase desmaiando de fome.
“Você não é gorda. Você está ótima
assim. Precisa se aceitar do jeito que é, você é linda. Pare com isso, querida.”
Essas foram as palavras de sua mãe um dia desses.
Porém, ela
não acreditava em nada. Não ia parar. Iria continuar com isso cada vez mais...
- Ana

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