domingo, 11 de agosto de 2013

"Gorda..."


             Ela abre os olhos. Não consegue mais dormir. Olha para o teto do quarto. Pensa um pouco na vida. Pensa na aposta que fez a muito tempo atrás, e pensa no que ela se tornou agora. Depois de muito tempo, decide se levantar. Calça os chinelos, passa os dedos pelos cabelos embaraçados, desfazendo todos os nós. Abre a janela, sente o calor do sol arder em seu rosto. São 10 da manhã.
             Ela se para na frente do espelho, muito insatisfeita com o que vê. Levanta sua blusa e pega nas “gordurinhas” da sua barriga. Começa a chorar.
            “Gorda... Ninguém nunca vai gostar de você desse jeito.” Sussurra pra si mesmo, abaixando a blusa. 
            Mas, o dia continua... Ela desce as escadas, e vai até a cozinha. Pega um copo, o enche com água e toma um gole.
            “Beba devagar. É só isso que você vai consumir o dia inteiro.”  Ela pensa.
            - Bom dia! – Diz sua mãe, entrando na cozinha. – Está com fome? O que vai querer comer? – Sua mãe sorri.
            - Bom dia, mãe. – Ela responde. – Não, não estou com fome. Depois eu como alguma coisa. – Mentira. Ela está morrendo de fome. Mas se recusa a comer.
            - Não, filha. Que isso. Coma alguma coisa. Por favor. – Sua mãe diz, lhe entregando um bolinho. - O dia será longo hoje. Quer um pão? Um pedaço de torta?
            “Ai meu Deus...” Ela pensa.
            - Não, mãe... Comerei o bolinho. Já está ótimo. – Ela força um sorriso. E dá uma mordida. Se sentindo culpada, engole.
            - Ok. Vou trabalhar, já estou saindo. – Pega sua bolsa e dá um beijo na testa da filha. – Amo você.
            - Também amo você, mãe. – Ela responde. Espera sua mãe sair, para jogar o resto do bolinho na lixeira.
            Sai correndo escadas acima. Entra no banheiro, se ajoelha na frente da privada. E começa a vomitar tudo o que está em seu estômago. Enxuga uma lágrima que insistiu em cair e escova os dentes. Sobe na balança. Vê seu peso e fica muito deprimida com o que vê. Não tinha emagrecido quase nada. Droga.
            Volta para seu quarto e vê o seu reflexo no espelho novamente. Para ela, estava muito gorda. Muito acima do peso. Precisava emagrecer. Foi uma aposta. Só assim ela estaria feliz. Não comia quase nada. E se comia, vomitava tudo quando ninguém estava por perto. Negava toda fez que lhe ofereciam comida, mesmo estando quase desmaiando de fome.
            “Você não é gorda. Você está ótima assim. Precisa se aceitar do jeito que é, você é linda. Pare com isso, querida.” Essas foram as palavras de sua mãe um dia desses.

            Porém, ela não acreditava em nada. Não ia parar. Iria continuar com isso cada vez mais...

                                                                                               - Ana

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