sábado, 7 de dezembro de 2013

Sem final feliz.



Os dois eram um casal lindo. Todo mundo dizia que ficariam juntos e diziam o quanto se completavam. E era o que os dois mais queriam. Mas o problema era que o destino não queria. Era. Eram. Esse relacionamento se baseia somente com verbos no passado. Varias coisas aconteceram, e os dois acabaram se afastando. Foram arrancados um do outro, e quem mais sofria era ela. Um casal que não teve um final feliz. Ele não poderia viver no mundo dela. E ela jamais se encaixaria no dele. Um casal que foi feito para se encontrarem, se conhecerem, se apaixonarem. Mas não para ficarem juntos.
                                                                                                          Ana            

Coração machucado

E a gente vai vivendo. Vai acreditando, vai amando, e aos poucos vai se arrependendo... Realmente, a vida é uma caixinha de surpresas. Eu paro e penso. Não sei se foi você que mudou, ou foi eu que não te conhecia. Sempre dizem: “Siga seu coração.” Mas a verdade é que ele foge de mim. Escapa, sai correndo, como se tivesse vida própria. E depois volta, vem batendo todo machucado, pra me mostrar que ainda está ali, e que foi vitima de quem não o cuidou direito. É, pois é. O meu coração ta machucado. E quando se machuca um coração é como se... Como se você desse um tiro em um retalho de seda. Vai acabar ficando lá, pra sempre. E não adianta costurar, vai ficar a marca. Sempre te lembrando, e te fazendo chorar cada vez mais. Por um segundo eu paro e penso que talvez algum dia possa dar certo pra mim. Mas meu coração machucado bate e me mostra que isso vai ser difícil. Ou que talvez demore... Mas a verdade é que dói. Dói pra caramba. E o que mais dói é lembrar que a dor vem da vez que você entregou seu coração a algum idiota, que não soube cuida-lo. Que não soube segurá-lo... Que simplesmente o deixou cair no chão, o fazendo em pedaços. E depois voltou, bagunçando cada vez mais todos esses pedaços.
                                                                                                                    Ana




Ponto final.


Menina de estrutura mediana, olhos claros, mas isso aqui é o que menos importa. O fato aqui é que ela estava cansada, cansada de ser deixada sempre de lado... Cansou de ter que correr atras e nunca alcançar seus objetivos, cansou de ser quebrada, e definitivamente cansou de viver. De uns tempos pra cá veio a interpretar a vida de uma forma diferente. Como um borrão preto e branco, no qual se enxergava bem no meio dele, no meio da escuridão, no meio do abismo. Sozinha. E um dia decidiu que essa pressão toda iria acabar, tinha tudo em mente, comprimidos, a corda e a lamina. Isso mesmo, ela iria dar um fim, iria fazer o que já era pra ter feito. Pegou o que precisava, deixou uma carta, e sentou na sua cama, supostamente pela a ultima vez, a unica coisa que a rodeava era que nada poderia dar errado, que era aquilo e pronto. Suspirou, olhou para a corda, a lamina e os comprimidos. "Vou pela forma menos dolorosa", pensou. Ela pegou um imenso copo com água, e os comprimidos. Deitou e tomou o primeiro, junto com ele se juntava diversas lagrimas, lembrava de toda a sua trajetória ate aqui, o coração da pobre menina do capuz preto doía tanto... Doía toda vez que lembrava do que machucara. Cada vez mais desesperada, ingeria os comprimidos com mais ânsia... E acabaram. Ela soltou o copo no chão, a falta de ar a dominava. Virou agarrando com suas ultimas forças o travesseiro preferido, e por fim fechou os olhos tranquilamente. Na medida em que relaxava a dor passava, e sua vida estava prestes a ir junto com tudo... Por fim, esmoreceu os braços e deu seu ultimo suspiro.
                                                                                                                       Ana

Crescer


          A menina cresceu e acabou perdendo toda a sua inocência. Viu que nem tudo é tão fácil como nos famosos “contos-de-fada”. Nada é perfeito, e nada dura “pra sempre.” Ela percebeu que há dores muito piores do que um tombo de bicicleta ou um ralado no joelho. E, principalmente percebeu que essas dores não se curam com um beijo igual as outras. Percebeu que há medos muito piores do que um fantasma ou um mostro embaixo de sua cama, muito piores do que se perder da mãe no supermercado, e com certeza muito piores do que todos os raios e trovões que lhe faziam correr para a cama da sua mãe no meio da noite.
          “Ta doendo, mãe. Ta doendo aqui dentro.” 
          Mas agora sua mãe não tem como te ajudar, não é? Crescer não é tão fácil e nem tão divertido quanto ela pensou que fosse. E agora?! Ela cresceu. E não tem como voltar. E meu Deus, como ela queria voltar a ser criança... Mas não pode. A menina percebeu que a vida não é um mar de rosas como costumava ser na infância. Você não pode mais voltar correndo pra saia da sua mãe cada vez que cair e se machucar. Força, menina. Você vai cair e vai errar dez, cem, mil vezes. Mas é preciso ter foco, força e fé. Foco no que você quer, força pra você conseguir e fé para nunca deixar de acreditar. Sua mãe terá orgulho de você.
          Vai lá. Cresça o que tem que crescer, erre o que tiver que errar, acerte o que tiver que ser acertado. E, não se esqueça: Viva o que precisa ser vivido.
                                                                                                     Ana