quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Floresta do Mal


Me levanto da cama, como em qualquer outro dia, me visto, disposta a viver mais um dia. Moro em uma fazenda, herdada de meus avós. A fazenda fica ao lado de uma floresta enorme, que ninguém nunca entrou. Meus pais morreram em um acidente de carro quando eu tinha meses de idade. Eu estava presente, mas, todos dizem que sobrevivi por um milagre. Será? Ah, peço perdão, esqueci de me apresentar. Me chamo Victoria. Estou com 18 anos agora. E pouca gente sabe de todas as coisas que eu fiz
          Saindo de casa, já atrasada para a faculdade, sigo em direção a meu carro. Enquanto abro a porta e jogo a mochila lá dentro, escuto alguns ruídos, sussurros, parecem vozes. Penso que pode ser alguém me chamando, olho para a sacada da casa e ao redor. Mas não há ninguém lá. Estou sozinha. Estranho. São vozes que ela não sabia de onde vinha.  E então, entro no carro, sigo em direção a faculdade e acabo esquecendo.
         Já é fim de tarde quando volto. Fico uma hora estudando, duas talvez... E então decido sair e tomar um ar fresco. Aproveito e brinco um pouco com o meu cachorro.
        - Vai Scott, pega! - Jogo a bolinha para ele.
        O cachorro vai correndo pegar a bolinha, e a traz de volta para. Pego e a jogo mais uma vez. Dessa vez, por obra do destino, ou por azar mesmo, jogo muito próximo da floresta. O cachorro vai outra vez correndo pegar a bolinha, mas, por algum motivo, voltou correndo com medo e entrou dentro de casa. Acho estranho, mas também engraçado, rindo vou até lá pegar a bolinha do cachorro para guardá-la. E então, escuto os sussurros, as mesmas vozes de antes.
         "Venha... Venha até aqui..."
        Procuro o lugar de onde vem o som. Acho que pode ser o rádio de meu carro que possa ter esquecido ligado, um celular perdido, ou qualquer outra coisa. E então, paro de procurar e fica hipnotizada pelas vozes. As vozes vinham das folhas, dos galhos, das árvores, da floresta.
        "Shhh... Não diga nada a ninguém. Apenas venha... Entre aqui... Shhh"
         Uma força de atração me puxa para dentro daquele lugar. Entro na floresta, e me deparo com uma clareira. Um corvo está sobre uma enorme pedra, no meio dali. Um pássaro tão negro, tão... lindo. Me aproximo, e então caio.
            Fiquei caindo por muito tempo, num abismo sem fim. Até que, cheguei ao chão. Minha queda foi horrível, com certeza tinha quebrado todos meu ossos, ou pior, com certeza a morte teria sido inevitável... E então, perdi a consciência.
             Acordei em algum lugar estranho, não fazia ideia de onde estava. Apenas levantei. Não sentia nada, nenhuma dor. Até a minha dor de cabeça havia passado. Comecei a andar. Minha cabeça latejava de uma forma que parecia que ia explodir. Parecia que meu cérebro se revirava em minha cabeça.
Estava tudo branco. Paredes brancas, chão branco. Corri as mãos pelas paredes lisas, tentando achar alguma coisa, algum interruptor, mas não havia nada. Era um lugar vazio, sem absolutamente nada. Tentei gritar, mas da minha garganta não saía som algum. Uma horrível agonia me consumia. Continuei andando, até que cheguei em algum lugar.
        Examinei o lugar em que estava e o desespero chegou. O céu era uma escuridão, sem estrelas. A única forma de iluminação daquele lugar eram enormes labaredas de fogo. Por todo o lugar. Fogo, fogo e mais fogo. Pessoas acorrentadas, outras pessoas gritando. Eu não entendia porque, mas algumas estavam se divertindo. Mas eu conheci aquele lugar. Era o inferno.
          Ouvi uma gargalhada terrível, que arrepiou todos os pelos da minha nuca.
          - Vic, minha linda! Finalmente! – Conheci a voz de imediato. Júlio. Ele estava aqui. Olhei para todos os lados, mas não o vi. Até que, ele saiu detrás de uma labareda de fogo. Andava em minha direção com um sorriso enorme no rosto.
Ah, deixa eu explicar. Júlio é meu ex namorado, flagrei o mesmo na cama com outra garota. Matei os dois, após ter cortado os órgãos genitais do rapazinho. Não me julgue agora, no começo dessa história eu disse que nem todo mundo sabe das coisas que fiz.
          Droga! Saí correndo. Foi em vão, ele apareceu em minha frente, do nada. Me empurrou com uma força extraordinária, e voei em direção a uma parede de concreto. Bati minhas costas na parede e cai no chão. Quando consegui me recuperar, olhei para o lado. Havia pessoas acorrentadas. Algumas olhavam pra mim com um olhar terrível de desespero, outras gritavam... Outras simplesmente não se mexiam...
            Júlio chegou a mim muito depressa e me acorrentou, igual as outras pessoas. Tentei com todas as minhas forças me soltar, mas não consegui. Olhei para ele. Ainda não entendia nada do que estava acontecendo.
          - O que você quer? Eu não estou entendendo nada. Por que estou no Inferno?
          Ele soltou uma gargalhada. E então olhou pra mim com desprezo.
          - Aqui é o seu lugar, Victoria. – O sorriso dele aumentou. Ele pegou meu rosto entre as mãos, e aproximou o dele do meu. Podia sentir o hálito quente da boca dele. Por um instante, pensei que ele iria me beijar. Mas, não. – É bom ver você, amor. Estava com tanta saudade...
         - Me solte! Você é um traidor. É você quem vai queimar no inferno. – Ele soltou outra de suas gargalhadas.
         - Não sei se você percebeu, mas nós já estamos no Inferno, doçura. – Ele me olhava nos olhos... Aqueles olhos, tão escuros como um abismo. Um abismo em que eu me perdi. – Você é tão ingênua, Vic. Tão boba. Você mereceu. Não se deve confiar em ninguém. Mas isso não importa agora. – O rosto dele continuava muito próximo do meu. - Você sabe o quanto esperei por isso? Faz ideia do tempo que eu esperei pelo dia de você aparecer aqui? O diabo prometeu você pra mim. E eu prometi que eu vou fazer você sofrer. Nós temos a eternidade toda juntos agora.
E então eu havia virado um brinquedo para ele. Comigo acorrentada, ele começou a me torturar, abusar e agredir até que eu não suportasse mais. Desmaiava muitas vezes, torcendo para que quando acordasse, tudo fosse um sonho e que ele não estivesse mais ali. Mas, ele sempre estava. Desmaiando de novo, vi que meu pesadelo acabara de começar.



                                                 - Ana 

             

Agredir uma mulher não te faz mais homem





          A mulher é considerada como o sexo frágil há muito tempo. Na antiguidade, a mulher não poderia votar, trabalhar e seu único papel na sociedade era cuidar da casa e dos filhos, sendo muito desvalorizada. 
         A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Cada ano milhares de mulheres são espancadas e/ou mortas por seus companheiros.
         O Artigo VII da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que todos são iguais perante a lei. Por isso, homem algum tem o direito de agredir a mulher fisicamente, verbalmente ou sexualmente. 
          De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é o que a educação faz dele. Portanto, um homem agredir sua companheira não pode ser considerado um ato racional. Muitas mulheres sofrem caladas por teres medo de denunciar seus agressores e isso é uma realidade assustadora visto que as agressões podem causar traumas morais e psicológicos nas vitimas. Bater em uma mulher não faz ninguém mais homem. 
          Medidas são necessárias para resolver o impasse. O governo deve ter punições mais severas e penas maiores para os agressores. A escola, a família e a sociedade devem fazer campanhas de conscientização para encorajar as vítimas a denunciar os agressores.
          Nenhuma mulher merece ser menosprezada, humilhada ou violentada por ninguém.



                                                                                      - Ana, redação ENEM, 2015.