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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Dez coisas que eu odeio em você



Eu odeio o fato de você sempre ter razão. Eu odeio quando você mente. Eu odeio quando você me faz rir. Mais ainda quando me faz chorar. Eu odeio quando você não está por perto. E por você não ter me ligado. Mas mais que tudo, odeio como eu não te odeio. Nem um pouco, nem por um segundo, nem por nada.

                                                                                     

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Saudade dói?


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. TTrancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
                                                                                      Autor Desconhecido

sábado, 5 de outubro de 2013

A roda-gigante



         Enquanto a escuridão da noite se aproximava, com de costume, toda a cidade se preparava para a festa. Nas janelas das casas do beco, nos bancos cinzas e velhos das praças ou nos balcões da lanchonete dos melhores salgados do mundo. O assunto era o mesmo, e a ansiedade das pessoas, também.
      Valentina também estava ansiosa para a exposição. Mas não pelas bebidas ou pelo show, como a maioria dos seus amigos, e sim pelo cheiro de churros quentinhos e pelas infinitas bancadas de doces que enfeitavam e deixavam toda a rua com um ar diferente.
       Todos já estavam prontos quando ela finalmente resolveu entrar no banho. Odiava ser apressada, então preferia ficar sempre por ultimo. Não ligava de chegar sozinha nos lugares; pra falar a verdade, ate gostava.
       Sua pele branca e pálida se tornava levemente rosada no inverno. Ao se despir no banheiro, ficou alguns minutos se encarando no espelho da pia. Talvez ainda não tivesse se acostumado com o seu novo reflexo. Talvez ainda não soubesse, mas Valentina já não era a mesma garotinha de sempre. Pelo menos não por fora.
         Desde o ultimo ano, seus cabelos encaracolados e ruivos cresceram, e os seus olhos, que antes só expressavam meiguice, agora, com um pouco de rímel, esbanjavam sensualidade.
         No embaçado do vidro do box, sua frase predileta: “Life keeps going, with or without you”.
         Depois do banho, pôs seu vestido florido preferido, sua jaqueta de couro e procurou por toda parte sua sapatilha azul de camurça com laço. Para as entendidas de moda, aquele não era um look perfeito, mas para Valentina aquele era o look ideal.
         Fechou a porta e, quando chegou na esquina da rua de casa, voltou para conferir se a tinha trancado. Enquanto caminhava até a rua da exposição, era impossível não se lembrar do que acontecera ali no ano interior. Para fugir dos seus pensamentos, ligou o fone de ouvido no ultimo volume e cantarolou até o local sua musica predileta.
         A rua estava como costumava estar. Maçãs do amor, cocadas e pipocas por toda parte. A iluminação amarelada, que ficava por conta das diversas luzes espalhadas pelas arvores, também estava presente. Enquanto olhava para os lados e caminhava pela rua em busca de um rosto conhecido (e que a fizesse ter vontade de segui-lo), já comia um churro com doce de leite, seu predileto.
         Tudo ia bem até avistar de longe o grupo de amigos de Eduardo. O motivo pelo qual estar ali era um desafio. Desviou rapidamente e entrou para o parque sem que a notassem. A idéia de ele ter vindo para a festa a assustava. Era uma sensação nova e estranha, que apertava o peito, mas que a fazia imaginar coisas. Ter esperanças.
          Enquanto se recuperava daquela maldita sensação, entrou em uma barraca de bijuterias e comprou algumas pulseiras. Valentina não usava brincos ou colares, mas amava preencher seu pulso com coisas aleatórias. Dizia que cada uma delas tinha um significado diferente. Comprou aquela pra registrar a primeira exposição sem ele. Não sem o amor, apenas sem ele.
         As luzes em movimento a atraíam tanto que acabou se esquecendo de encontrar os outros. Caminhou então em direção ao seu brinquedo preferido, a roda gigante.
        As filas estavam grandes, mas não maiores que a vontade de enxergar tudo aquilo lá de cima. Desde que tudo aconteceu, ela nunca mais havia subido tão alto. De alguma forma, a altura a fazia se sentir bem. Como não estava acompanhada, nos minutos em que ficou esperando, buscou um rosto conhecido nas pessoas ao seu redor. Sem sucesso, aguardou a sua vez e torceu pela sorte de que fosse alguém, no mínimo, silencioso.
        Enquanto olhava para o lado do carrossel e sorria ao ver as crianças se divertindo, sentiu um perfume familiar no ar. Em menos de cinco segundos todas as lembranças voltaram, e aquela sensação de antes também. Era ele. Ninguém mais na cidade usava tal perfume importado. Era o dele.
        O destino às vezes gosta de brincar com a nossa coragem. Talvez ele queira saber se nós sabemos diferenciar passado, presente e futuro. Saber se nós realmente queremos que essas palavras signifiquem coisas diferentes.
        E, naquele momento, ela desejou que não. Que nenhuma das suas lembranças fossem verdade, que o Eduardo se virasse e dissesse que o cara dos churros colocou doce de leite a mais porque ele disse que sua namorada era a mais linda da festa. Mas nem ele se virou, nem ela teve forças pra dizer ou fazer algo. Ficou ali parada e sentindo cada parte do seu corpo doer, como se ele fosse uma espécie de Kryptonita (aquela do Super-Homem).
         A fila a frente deles já estava quase acabando quando o maquinista perguntou para o jovem de cabelos claros e olhos negros se ele tinha companhia. A resposta foi não, então o barbudo de aparência cansada olhou para Valentina e fez a mesma pergunta. Sem dizer nada, ela apenas balançou a cabeça negativamente.
         - Então vocês vão juntos.
         Em menos de um segundo, essa frase se repetiu varias e varias vezes na cabeça da jovem garota ruiva. Suspirou fundo, mordeu os lábios e, finalmente, encarou o rapaz.
         - Por mim, sem problemas.
         A reação dele foi justamente a contraria a dela. Sem conseguir disfarçar a surpresa de tamanha coincidência, ele, ainda sem acreditar no que estava acontecendo, caminhou ao lado da garota até os assentos do brinquedo.
         Ela desejou alguém silencioso, e conseguiu. Nos primeiros minutos, antes de o brinquedo realmente funcionar, ele não disse absolutamente nada. Apenas a olhou fixamente, sem acreditar que aquela era “sua Valentina”.
         Um ano pode não ser muito tempo, mas é o suficiente para uma ferida de amor parar de sangrar. A cicatrização pode ser longa e dolorosa, mas basta um olhar para que as centenas de textos ele-não-te-merece ou você-não-foi-feita-pra-ele percam todo o seu sentido.
        Valentina tinha muito o que dizer, mas, naquele momento, queria mesmo era escutar. Uma explicação que desse sentido a tudo. Ou, sei lá, uma certeza que a fizesse nunca mais querer olhar na cara dele.
         A roda-gigante então estalou e começou a rodar. A altura fazia tudo aquilo parecer ainda mais surreal. As pessoas lá embaixo ficavam pequenas, e ele continuava ali, bem na sua frente, do mesmo tamanho de sempre.
         - Eu senti a sua falta durante todo esse ano.
         Parece que ele não veio para explicar. Veio para confundir ainda mais.
         - Pois, pra mim, você é indiferente.
         Vai encenar aquela personagem durona que não acredita no amor? Sério, Valentina?
         - Sei que isso é mentira. Você não deve imaginar, mas eu ainda leio seus textos, eu sei o que você sente, sei como você se sente. E, acredite, a dor de causar tudo isso é talvez maior do que a sua.
         - Parece que alguém ainda não perdeu aquela mania de sempre se fazer de o coitado da história.
         - Não, você não entendeu. Só quero que saiba que também dói em mim.
         - Isso não me importa. Quero mesmo é que você e todas as suas pseudoconsequências se danem. A vida é uma questão de escolhas, e, nesse mesmo dia, um ano atrás, você escolheu a opção que me tirava de vez da sua vida.
         - Sabe, Valentina, eu conheci você quando ainda era um garotinho. Sempre foi a menina da minha vida. Te achava diferente de todas as garotas com quem costumava lidar lá em São Paulo, então minha paixão cresceu sem que eu pudesse perceber. Acredito que isso também já tenha acontecido com você. Quando nos demos conta, já estávamos nos beijando e mandando mensagens carinhosas durante o período das aulas. Tudo isso era incrível, mas, com o tempo, nasceu em mim, paralelamente, uma vontade de saber como era vida sem você.
         - Não acredito que você está dizendo isso – disse a jovem enquanto sentia uma lágrima escorrer.
         - Calma. Deixa eu terminar, ok? Eu jamais teria coragem de trair você. Então, resolvi, antes de fazer qualquer coisa, terminar. Fiz isso no pior momento de todos, no pior lugar de todos. Foi no parque em que demos o nosso primeiro beijo.
         - E o último.
         - Eu tinha bebido com os meninos, jamais teria feito isso aqui e na frente de todo mundo. Mas aconteceu. E eu fui sincero com você, disse que não queria mais pra fazer você sofrer menos. Odeio esse tipo de cara que não quer mas continua iludindo.
         - Oh, você tem valores. Que bonito.
         - Eu não estou aqui pra fazer com que você volte pra mim, eu estou aqui pra que você me entenda. Depois que voltei pra casa daquelas férias, percebi a burrada que havia feito. Talvez eu tenha tido que te perder pra me lembrar do quanto você é diferente. Que eu não tenho motivos pra querer descobrir como é a minha vida sem você, porque a minha vida é você.
         - Então por que diabos você não veio me dizer isso antes?
         - Não é tão simples como parece. Eu não sou tão corajoso quanto você, garota, acredito que saiba disso. Passei todo esse tempo visitando seu blog, lendo seus textos e não me perdoando por ter feito isso, entende? E se eu não me perdoava, por que você faria isso?
        - Porque eu te amo. Só por isso, seu idiota.
         Então, quando ela terminou de dizer isso, a roda-gigante parou lá no alto. Eles se olharam, e o silencio os envolveu novamente. Ninguém precisava dizer mais nada, só fazer. Ele fez. Beijaram-se lentamente. E fizeram com que o último ano não passasse de uma simples descida da roda-gigante e, vejam só, agora eles estão lá em cima, e o mais importante, juntos.
         No outro dia, encontraram perdida, bem embaixo do brinquedo, uma pulseira de pedras brilhantes. Eu, como mera observadora dessa história, espero que nunca mais a encontre.

                                    - Crônica tirada do livro Depois dos Quinze, da Bruna Vieira.

sábado, 31 de agosto de 2013

Não vai passar, só mudar


          "Eu esqueci você." Essa é com certeza a maior mentira que um dia diremos pra alguém. Sabe por quê? Sentimentos não morrem nem são esquecidos, eles apenas se transformam em outros sentimentos. Tipo mutação. O tempo tem sim o poder de mudar o nosso foco, mas ele não apaga uma história. Muito menos as lembranças. Ele apenas te mostra que você é forte o suficiente pra continuar, mesmo com tudo isso acontecendo aí dentro. Aí, então, outras coisas acontecem.
          O amor torna a indiferença impossível. Quero dizer, as pessoas com quem você realmente um dia se importou nunca serão indiferentes. Cada uma delas despertará uma sensação única quando você, por exemplo, encontrá-la por acaso enquanto aguarda, em um final de semana qualquer, na fila do McDonald's. Vai queimar, sufocar, arder e, às vezes, tudo isso ao mesmo tempo. O que vai mudar é que, quando acontecer, você saberá sem sombra de dúvida o que é realmente bom pra você.
          Sabe, já ouvi muitos relatos de pessoas que tentaram deletar suas próprias lembranças. Aos poucos, elas foram se deletando também. A música predileta. O filme que mais fez chorar. Aquela fotografia com ele em que você saiu super bem. Nada disso pode mais ser lembrado ou guardado? Está errado.
         As lágrimas importam tanto quanto os sorrisos. Você é tudo aquilo que viveu até este exato momento. E o que em maior parte te fez evoluir foram as porradas e os tomos que a vida te deu. Que te fizeram passar dias na cama sem vontade de dormir ou comer. Que te fizeram pensar milhares de vezes em tudo aquilo que aconteceu. Que te fizeram admitir ou desistir. Que te fizeram se transformar.
          "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." Talvez você devesse levar as aulas de química mais a sério.  


                            - Crônica tirada do livro Depois dos Quinze, da Bruna Vieira.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Resumindo

Então crescemos, e aquele nosso amor platônico da escola se transforma no cara mais babaca que já conhecemos.  O colegial acaba, e finalmente a hierarquia dos grupinhos populares vai por agua abaixo. Malhação vira mais um programa chato da Globo. Nosso animal de estimação começa a não ter mais tanta disposição.
Nossas melhores amigas já não são tão melhores assim.
Mudamos de gosto musical. Percebemos que as primas quem eram bebês há até pouco tempo já sabem dançar o funk do momento. Então amamos um cara. Logo depois aprendemos a lidar com a distância. Conhecemos outro cara. Aí aprendemos a dizer adeus. Então as preocupações do futuro se transformam e deixam de ter a ver com garotos. Temos que decidir o que fazer da vida. Alguém que amamos muito é arrancado dela.  A solidão deixa de ser só uma palavra.
Começamos a preferir os livros sem figuras. Então vamos pra faculdade.  Tentamos nos misturar e acabamos esquecendo o que aconteceu na noite passada.  Depois de alguns meses, paramos de achar graça nas coisas que antes eram incríveis e divertidíssimas.
Terminamos a faculdade e vamos em busca de um bom emprego. Enfrentamos horas sem dormir e na frente do computador. Alguém diz que não somos boas o suficiente.  Ligam pra nos informar que o nosso animal de estimação partiu. Então mudamos de emprego, de cidade, de cabelo, de guarda-roupa, de carro, de melhor amigo e, mais uma vez, mudamos a maneira de ver a vida.
Fechamos os olhos e vemos que as coisas estão mais loucas do que nunca. Aí lembramos que já passamos por tudo isso que acabei de contar. Então, finalmente, adormecemos e acordamos sem nos lembrar da complexidade da coisa mais simples do mundo: viver.

                                     - Texto tirado do livro Depois dos Quinze, da Bruna Vieira. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Escorregada

   


  Sabe, ela esta cansada desse leve e trás. De todos os rótulos, dos olhares desconfiados e de todas as línguas afiadas dizendo que ela não é capaz. Ela sabe de todos os seus acertos os erros é que vão se destacar, mais uma vez. E que se ela caprichar eles vão querer outra vez.
       Que se ela ficar no seu canto eles vão perguntar "porque você está triste?". E eles não perguntam porque querem ajudar, e sim porque ela não tem motivo de ficar assim.
       Sabe, é como se mundo ao seu redor estivesse esperando por mais uma escorregada dela. Mundo cheio de buracos, obstáculos e ela se só sentisse segura com seu preto e velho all star. Ás vezes ela não consegue disfarçar, coloca o o fone de ouvidos e se protege de todos os ruídos com seu cantor preferido. 
       Ela está com os olhos fechados quase fazendo uma prece. O que ela quer? Não sei. O volume está no máximo, posso ouvir a melodia daqui.