Era 04 de
agosto de 2004. O dia em que eu mudei completamente. Havia cansado de ser uma
boa pessoa. Tinha cansado de seguir todas as regras. Não queria mais ser um
homem bom. Tudo isso não tinha mais a menor graça.
Apartamento
444. Eu estava sentado no sofá, com uma lata de cerveja em minha mão e o meu
cachorro ao meu lado. Fumava um cigarro. O ultimo daquele maço, que droga. No
cômodo, o único barulho a se ouvir era a televisão. Eu estava entediado. E
então saí.
A
noite estava fria. O céu com poucas estrelas. Uma típica noite de inverno. Eu
sabia o que iria fazer. Eu sabia o que queria fazer. Mas ainda era muito cedo.
Fiquei
parado na calçada. Mãos nos bolsos. Apenas observando as ruas, os carros que
passavam, as pessoas. Você já parou pra pensar como todo mundo é diferente? Até
nos mínimos detalhes, nada é igual.
Uma
garota passou por mim. Fones nos ouvidos, cigarro na boca, cara fechada. Não
deveria ter mais de 16 anos. Uma adolescente rebelde. Perfeito. Eu escolho ela.
Começo
a segui-la. E então, quando ela entra em uma rua mais fechada, a seguro,
tampando sua boca com a mão. Ela tenta gritar, se desvencilhar, mas é óbvio que
sou muito mais forte que ela. A carrego até um muito distante beco sem saída, e
a seguro contra a parede.
-
Me solte! Agora! Ou eu vou gritar! – Ela diz, e é inevitável a minha
gargalhada.
-
Vai gritar pra quem, garota? Não tem ninguém aqui por perto. Ninguém vai te
ouvir, menina boba. – Respondo isso e em seguida tiro o canivete do meu bolso.
Ela
me lança um olhar de pânico.
Levanto
sua blusa e passo o canivete com muita força pela sua barriga. Ela grita de
dor. Vejo uma linha vermelha aparecer, e em pouco tempo o sangue já começa a
jorrar. Faço outros pequenos cortes pelo corpo dela. Vejo o desespero e a dor
estampados em seu olhar. Ouço seus gritos. Aquilo me dá prazer. Lágrimas
escorrem de seus olhos, e um sorriso se abre em meu rosto.
Chega.
Chega de jogar. Já me diverti o suficiente. Seguro o canivete novamente e passo
pelo seu pescoço. Atingindo a artéria. O sangue jorra outra vez. Em pouco
tempo, o corpo sem vida da garota cai sobre meus braços. Pego meu celular e
tiro uma foto do cadáver da garota. Tão linda. Jogo o seu corpo na lixeira que
estava ao nosso lado. Um dia alguém encontrará o corpo. Espero que não demore
muito, seria deplorável.
Volto
para casa e sigo em direção ao meu quarto. Imprimo a foto que tirei da garota
morta e colo em meu mural. A primeira vitima de muitas. A felicidade me
consumia. Um assassino, um psicopata, um doente mental... Era isso que eu tinha
me tornado? Talvez. Se começar foi
fácil, difícil vai ser parar.
- Ana

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