domingo, 11 de agosto de 2013

Meio Psicopata



Era 04 de agosto de 2004. O dia em que eu mudei completamente. Havia cansado de ser uma boa pessoa. Tinha cansado de seguir todas as regras. Não queria mais ser um homem bom. Tudo isso não tinha mais a menor graça.
       Apartamento 444. Eu estava sentado no sofá, com uma lata de cerveja em minha mão e o meu cachorro ao meu lado. Fumava um cigarro. O ultimo daquele maço, que droga. No cômodo, o único barulho a se ouvir era a televisão. Eu estava entediado. E então saí.
       A noite estava fria. O céu com poucas estrelas. Uma típica noite de inverno. Eu sabia o que iria fazer. Eu sabia o que queria fazer. Mas ainda era muito cedo.
       Fiquei parado na calçada. Mãos nos bolsos. Apenas observando as ruas, os carros que passavam, as pessoas. Você já parou pra pensar como todo mundo é diferente? Até nos mínimos detalhes, nada é igual.
       Uma garota passou por mim. Fones nos ouvidos, cigarro na boca, cara fechada. Não deveria ter mais de 16 anos. Uma adolescente rebelde. Perfeito. Eu escolho ela.
       Começo a segui-la. E então, quando ela entra em uma rua mais fechada, a seguro, tampando sua boca com a mão. Ela tenta gritar, se desvencilhar, mas é óbvio que sou muito mais forte que ela. A carrego até um muito distante beco sem saída, e a seguro contra a parede.
       - Me solte! Agora! Ou eu vou gritar! – Ela diz, e é inevitável a minha gargalhada.
       - Vai gritar pra quem, garota? Não tem ninguém aqui por perto. Ninguém vai te ouvir, menina boba. – Respondo isso e em seguida tiro o canivete do meu bolso.
       Ela me lança um olhar de pânico.
       Levanto sua blusa e passo o canivete com muita força pela sua barriga. Ela grita de dor. Vejo uma linha vermelha aparecer, e em pouco tempo o sangue já começa a jorrar. Faço outros pequenos cortes pelo corpo dela. Vejo o desespero e a dor estampados em seu olhar. Ouço seus gritos. Aquilo me dá prazer. Lágrimas escorrem de seus olhos, e um sorriso se abre em meu rosto.
       Chega. Chega de jogar. Já me diverti o suficiente. Seguro o canivete novamente e passo pelo seu pescoço. Atingindo a artéria. O sangue jorra outra vez. Em pouco tempo, o corpo sem vida da garota cai sobre meus braços. Pego meu celular e tiro uma foto do cadáver da garota. Tão linda. Jogo o seu corpo na lixeira que estava ao nosso lado. Um dia alguém encontrará o corpo. Espero que não demore muito, seria deplorável.
       Volto para casa e sigo em direção ao meu quarto. Imprimo a foto que tirei da garota morta e colo em meu mural. A primeira vitima de muitas. A felicidade me consumia. Um assassino, um psicopata, um doente mental... Era isso que eu tinha me tornado? Talvez. Se começar foi fácil, difícil vai ser parar.

                                                                                                           - Ana

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