Estava escuro. Era uma noite fria. Acendi um cigarro enquanto andava pela rua. A escuridão era tanta que mal conseguia enxergar alguma coisa na rua em minha frente. Encosto em uma parede de uma loja que estava fechada enquanto termino de fumar. Lembro de todas as palavras que a mim foram ditas. O mundo é um lugar cheio de gente desprezível. Ninguém se contenta em cuidar somente da própria vida.
- Idiotas... Apenas um bando de idiotas! – sussurro, enquanto dou a ultima tragada do meu cigarro e jogo a bituca no chão. Em seguida, volto a andar pelas ruas escuras.
Começa a chover. Uma chuva fina. Sinto todas as gotas da chuva escorrerem sobre meu corpo.
- Mas que droga! – Reclamo, colocando a touca de meu moletom sobre a cabeça.
Continuo andando, até que tropeço em algo que, até agora, não sabia o que era e acabo caindo no chão. E então olho para a coisa em que tropecei. Deitada, ali no chão, solto um grito. Era um cadáver...
Ou, pelo menos eu pensei que fosse. O corpo abre os olhos. O desespero me domina. Mas então eu percebo que é alguém ferido. Alguém que precisa de ajuda.
- Ai meu Deus! Você está bem? Eu vou te ajudar... Socorro! - Grito e pego meu celular, decidindo que ligarei para uma ambulância. O telefone está sem área, não tenho ideia do que fazer.
Mas, por algo eu não esperava. Ele se mexe muito rapidamente, não tive tempo nem de raciocinar o que estava acontecendo. Fica com o corpo sobre o meu, me prendendo. Tento me desvencilhar dele, totalmente sem sucesso. Ele leva a mão até o bolso, tirando uma faca e apontando-a para mim. E então, finalmente percebo que ele não é um homem que precisa de ajuda. É um psicopata. Daqueles que todo mundo espalhava boatos da existência deles pela cidade. Boatos de que eu nunca acreditei. Até hoje.
Sinto o metal perfurar o meu corpo, e em seguida subitamente sinto a dor. Mas ele não parou por aí. Continuou me dando várias outras facadas.
- Não se deve andar pela cidade a essa hora, doçura. E ainda mais sozinha... Você acaba se tornando uma presa tão fácil. – ele sussurra. Sinto seu hálito podre e o vejo abrir um sorriso.
A chuva para.
Tudo escurece.
- Ana

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