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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

A Floresta do Mal


Me levanto da cama, como em qualquer outro dia, me visto, disposta a viver mais um dia. Moro em uma fazenda, herdada de meus avós. A fazenda fica ao lado de uma floresta enorme, que ninguém nunca entrou. Meus pais morreram em um acidente de carro quando eu tinha meses de idade. Eu estava presente, mas, todos dizem que sobrevivi por um milagre. Será? Ah, peço perdão, esqueci de me apresentar. Me chamo Victoria. Estou com 18 anos agora. E pouca gente sabe de todas as coisas que eu fiz
          Saindo de casa, já atrasada para a faculdade, sigo em direção a meu carro. Enquanto abro a porta e jogo a mochila lá dentro, escuto alguns ruídos, sussurros, parecem vozes. Penso que pode ser alguém me chamando, olho para a sacada da casa e ao redor. Mas não há ninguém lá. Estou sozinha. Estranho. São vozes que ela não sabia de onde vinha.  E então, entro no carro, sigo em direção a faculdade e acabo esquecendo.
         Já é fim de tarde quando volto. Fico uma hora estudando, duas talvez... E então decido sair e tomar um ar fresco. Aproveito e brinco um pouco com o meu cachorro.
        - Vai Scott, pega! - Jogo a bolinha para ele.
        O cachorro vai correndo pegar a bolinha, e a traz de volta para. Pego e a jogo mais uma vez. Dessa vez, por obra do destino, ou por azar mesmo, jogo muito próximo da floresta. O cachorro vai outra vez correndo pegar a bolinha, mas, por algum motivo, voltou correndo com medo e entrou dentro de casa. Acho estranho, mas também engraçado, rindo vou até lá pegar a bolinha do cachorro para guardá-la. E então, escuto os sussurros, as mesmas vozes de antes.
         "Venha... Venha até aqui..."
        Procuro o lugar de onde vem o som. Acho que pode ser o rádio de meu carro que possa ter esquecido ligado, um celular perdido, ou qualquer outra coisa. E então, paro de procurar e fica hipnotizada pelas vozes. As vozes vinham das folhas, dos galhos, das árvores, da floresta.
        "Shhh... Não diga nada a ninguém. Apenas venha... Entre aqui... Shhh"
         Uma força de atração me puxa para dentro daquele lugar. Entro na floresta, e me deparo com uma clareira. Um corvo está sobre uma enorme pedra, no meio dali. Um pássaro tão negro, tão... lindo. Me aproximo, e então caio.
            Fiquei caindo por muito tempo, num abismo sem fim. Até que, cheguei ao chão. Minha queda foi horrível, com certeza tinha quebrado todos meu ossos, ou pior, com certeza a morte teria sido inevitável... E então, perdi a consciência.
             Acordei em algum lugar estranho, não fazia ideia de onde estava. Apenas levantei. Não sentia nada, nenhuma dor. Até a minha dor de cabeça havia passado. Comecei a andar. Minha cabeça latejava de uma forma que parecia que ia explodir. Parecia que meu cérebro se revirava em minha cabeça.
Estava tudo branco. Paredes brancas, chão branco. Corri as mãos pelas paredes lisas, tentando achar alguma coisa, algum interruptor, mas não havia nada. Era um lugar vazio, sem absolutamente nada. Tentei gritar, mas da minha garganta não saía som algum. Uma horrível agonia me consumia. Continuei andando, até que cheguei em algum lugar.
        Examinei o lugar em que estava e o desespero chegou. O céu era uma escuridão, sem estrelas. A única forma de iluminação daquele lugar eram enormes labaredas de fogo. Por todo o lugar. Fogo, fogo e mais fogo. Pessoas acorrentadas, outras pessoas gritando. Eu não entendia porque, mas algumas estavam se divertindo. Mas eu conheci aquele lugar. Era o inferno.
          Ouvi uma gargalhada terrível, que arrepiou todos os pelos da minha nuca.
          - Vic, minha linda! Finalmente! – Conheci a voz de imediato. Júlio. Ele estava aqui. Olhei para todos os lados, mas não o vi. Até que, ele saiu detrás de uma labareda de fogo. Andava em minha direção com um sorriso enorme no rosto.
Ah, deixa eu explicar. Júlio é meu ex namorado, flagrei o mesmo na cama com outra garota. Matei os dois, após ter cortado os órgãos genitais do rapazinho. Não me julgue agora, no começo dessa história eu disse que nem todo mundo sabe das coisas que fiz.
          Droga! Saí correndo. Foi em vão, ele apareceu em minha frente, do nada. Me empurrou com uma força extraordinária, e voei em direção a uma parede de concreto. Bati minhas costas na parede e cai no chão. Quando consegui me recuperar, olhei para o lado. Havia pessoas acorrentadas. Algumas olhavam pra mim com um olhar terrível de desespero, outras gritavam... Outras simplesmente não se mexiam...
            Júlio chegou a mim muito depressa e me acorrentou, igual as outras pessoas. Tentei com todas as minhas forças me soltar, mas não consegui. Olhei para ele. Ainda não entendia nada do que estava acontecendo.
          - O que você quer? Eu não estou entendendo nada. Por que estou no Inferno?
          Ele soltou uma gargalhada. E então olhou pra mim com desprezo.
          - Aqui é o seu lugar, Victoria. – O sorriso dele aumentou. Ele pegou meu rosto entre as mãos, e aproximou o dele do meu. Podia sentir o hálito quente da boca dele. Por um instante, pensei que ele iria me beijar. Mas, não. – É bom ver você, amor. Estava com tanta saudade...
         - Me solte! Você é um traidor. É você quem vai queimar no inferno. – Ele soltou outra de suas gargalhadas.
         - Não sei se você percebeu, mas nós já estamos no Inferno, doçura. – Ele me olhava nos olhos... Aqueles olhos, tão escuros como um abismo. Um abismo em que eu me perdi. – Você é tão ingênua, Vic. Tão boba. Você mereceu. Não se deve confiar em ninguém. Mas isso não importa agora. – O rosto dele continuava muito próximo do meu. - Você sabe o quanto esperei por isso? Faz ideia do tempo que eu esperei pelo dia de você aparecer aqui? O diabo prometeu você pra mim. E eu prometi que eu vou fazer você sofrer. Nós temos a eternidade toda juntos agora.
E então eu havia virado um brinquedo para ele. Comigo acorrentada, ele começou a me torturar, abusar e agredir até que eu não suportasse mais. Desmaiava muitas vezes, torcendo para que quando acordasse, tudo fosse um sonho e que ele não estivesse mais ali. Mas, ele sempre estava. Desmaiando de novo, vi que meu pesadelo acabara de começar.



                                                 - Ana 

             

Agredir uma mulher não te faz mais homem





          A mulher é considerada como o sexo frágil há muito tempo. Na antiguidade, a mulher não poderia votar, trabalhar e seu único papel na sociedade era cuidar da casa e dos filhos, sendo muito desvalorizada. 
         A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Cada ano milhares de mulheres são espancadas e/ou mortas por seus companheiros.
         O Artigo VII da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que todos são iguais perante a lei. Por isso, homem algum tem o direito de agredir a mulher fisicamente, verbalmente ou sexualmente. 
          De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é o que a educação faz dele. Portanto, um homem agredir sua companheira não pode ser considerado um ato racional. Muitas mulheres sofrem caladas por teres medo de denunciar seus agressores e isso é uma realidade assustadora visto que as agressões podem causar traumas morais e psicológicos nas vitimas. Bater em uma mulher não faz ninguém mais homem. 
          Medidas são necessárias para resolver o impasse. O governo deve ter punições mais severas e penas maiores para os agressores. A escola, a família e a sociedade devem fazer campanhas de conscientização para encorajar as vítimas a denunciar os agressores.
          Nenhuma mulher merece ser menosprezada, humilhada ou violentada por ninguém.



                                                                                      - Ana, redação ENEM, 2015.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Let it go



*
"Seja a boa menina que você sempre tem que ser." Não mais. Agora é hora de mudar. As mudanças são sempre bem vindas. Começou, mas depois eventualmente tudo se encaixou. Não importa o que aconteça ou o que as decisões que eu faço, você disse que sempre estará lá por mim. E não importa o que aconteça, ou que eu perder, eu não vou ficar triste para sempre. O frio nunca me incomodou, de qualquer jeito. É hora de crescer, de amadurecer. Eu amadureci. Eu não ligo para o que vão dizer, é engraçado como alguma distância faz tudo parecer pequeno. A distancia ficava dentro de mim, vivia dentro de barreiras. "Se esconda, não sinta, não deixe eles saberem." Bem, agora eles sabem. E os medos que me controlaram não podem mais me pegar. É hora de ver o que posso fazer. Testar os limites e atravessá-los. Sem o certo, sem o errado, sem regras para mim. Agora eu sou livre. Eu não vou mais voltar, a menina perfeita se foi. O passado está no passado, apenas deixe ir.

                                                                                                                        Ana

(...)


Ele me escreveu uma carta. Acho que já li uma centena de vezes. Eu choro, mas eu me vejo sorrindo muito, também. Ele sempre me espantou. Me espantou com a forma como sua mente trabalhava. A maneira como ele poderia olhar para mim sem dizer nada e me faz sentir como a pessoa mais importante do mundo. Ele me espantava com a forma como ele sempre pode ser tão positivo mesmo quando tudo estava desmoronando ao seu redor. E como ele poderia fazer uma luz brilhar nos recantos mais sombrios da minha mente quando eu pensei que nunca mais pudesse ser capaz de ver alguma luz lá novamente. Claro, ele teve seus dias ruins, seus "momentos de fraqueza ", mas, de longe, eu nunca conheci ninguém como dele. E eu sei que eu nunca vou. Talvez eu realmente seja uma pessoa fraca do coração. Talvez se não fosse por ele, eu não seria a pessoa que sou hoje . Às vezes me pergunto o que teria sido de mim se eu nunca tivesse o conhecido, se ele não estivesse lá para me salvar em todas as vezes que precisei de ajuda. Eu me pergunto o que teria acontecido comigo se ele não gostasse de mim o suficiente para me ajudar com os meus momentos de fraqueza. Eu odeio pensar desse jeito. Mas às vezes você apenas tem que enfrentar a realidade do que é, de como as coisas são e como poderiam ter sido baseada em suas ações. Eu sei em meu coração que se não fosse ele, eu poderia não estar aqui hoje por tudo. Estes últimos meses têm sido muito difíceis para nós, mas, ao mesmo tempo, eles foram cheios de vida e emoção. De amor e de esperança. A vida é um mistério. Muitas vezes injusto. Mas eu acho que eu aprendi no meu tempo com ele, que ela pode também ser uma coisa maravilhosa. E que, geralmente, quando acontece algo que parece injusto, é apenas a maneira da vida de abrir espaço para coisas melhores que estão por vir. Eu gosto de pensar nisso. Ele me deu forças para quando eu precisava de outras coisas. E agora eu preciso dele.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Sem final feliz.



Os dois eram um casal lindo. Todo mundo dizia que ficariam juntos e diziam o quanto se completavam. E era o que os dois mais queriam. Mas o problema era que o destino não queria. Era. Eram. Esse relacionamento se baseia somente com verbos no passado. Varias coisas aconteceram, e os dois acabaram se afastando. Foram arrancados um do outro, e quem mais sofria era ela. Um casal que não teve um final feliz. Ele não poderia viver no mundo dela. E ela jamais se encaixaria no dele. Um casal que foi feito para se encontrarem, se conhecerem, se apaixonarem. Mas não para ficarem juntos.
                                                                                                          Ana            

Coração machucado

E a gente vai vivendo. Vai acreditando, vai amando, e aos poucos vai se arrependendo... Realmente, a vida é uma caixinha de surpresas. Eu paro e penso. Não sei se foi você que mudou, ou foi eu que não te conhecia. Sempre dizem: “Siga seu coração.” Mas a verdade é que ele foge de mim. Escapa, sai correndo, como se tivesse vida própria. E depois volta, vem batendo todo machucado, pra me mostrar que ainda está ali, e que foi vitima de quem não o cuidou direito. É, pois é. O meu coração ta machucado. E quando se machuca um coração é como se... Como se você desse um tiro em um retalho de seda. Vai acabar ficando lá, pra sempre. E não adianta costurar, vai ficar a marca. Sempre te lembrando, e te fazendo chorar cada vez mais. Por um segundo eu paro e penso que talvez algum dia possa dar certo pra mim. Mas meu coração machucado bate e me mostra que isso vai ser difícil. Ou que talvez demore... Mas a verdade é que dói. Dói pra caramba. E o que mais dói é lembrar que a dor vem da vez que você entregou seu coração a algum idiota, que não soube cuida-lo. Que não soube segurá-lo... Que simplesmente o deixou cair no chão, o fazendo em pedaços. E depois voltou, bagunçando cada vez mais todos esses pedaços.
                                                                                                                    Ana




Ponto final.


Menina de estrutura mediana, olhos claros, mas isso aqui é o que menos importa. O fato aqui é que ela estava cansada, cansada de ser deixada sempre de lado... Cansou de ter que correr atras e nunca alcançar seus objetivos, cansou de ser quebrada, e definitivamente cansou de viver. De uns tempos pra cá veio a interpretar a vida de uma forma diferente. Como um borrão preto e branco, no qual se enxergava bem no meio dele, no meio da escuridão, no meio do abismo. Sozinha. E um dia decidiu que essa pressão toda iria acabar, tinha tudo em mente, comprimidos, a corda e a lamina. Isso mesmo, ela iria dar um fim, iria fazer o que já era pra ter feito. Pegou o que precisava, deixou uma carta, e sentou na sua cama, supostamente pela a ultima vez, a unica coisa que a rodeava era que nada poderia dar errado, que era aquilo e pronto. Suspirou, olhou para a corda, a lamina e os comprimidos. "Vou pela forma menos dolorosa", pensou. Ela pegou um imenso copo com água, e os comprimidos. Deitou e tomou o primeiro, junto com ele se juntava diversas lagrimas, lembrava de toda a sua trajetória ate aqui, o coração da pobre menina do capuz preto doía tanto... Doía toda vez que lembrava do que machucara. Cada vez mais desesperada, ingeria os comprimidos com mais ânsia... E acabaram. Ela soltou o copo no chão, a falta de ar a dominava. Virou agarrando com suas ultimas forças o travesseiro preferido, e por fim fechou os olhos tranquilamente. Na medida em que relaxava a dor passava, e sua vida estava prestes a ir junto com tudo... Por fim, esmoreceu os braços e deu seu ultimo suspiro.
                                                                                                                       Ana

Crescer


          A menina cresceu e acabou perdendo toda a sua inocência. Viu que nem tudo é tão fácil como nos famosos “contos-de-fada”. Nada é perfeito, e nada dura “pra sempre.” Ela percebeu que há dores muito piores do que um tombo de bicicleta ou um ralado no joelho. E, principalmente percebeu que essas dores não se curam com um beijo igual as outras. Percebeu que há medos muito piores do que um fantasma ou um mostro embaixo de sua cama, muito piores do que se perder da mãe no supermercado, e com certeza muito piores do que todos os raios e trovões que lhe faziam correr para a cama da sua mãe no meio da noite.
          “Ta doendo, mãe. Ta doendo aqui dentro.” 
          Mas agora sua mãe não tem como te ajudar, não é? Crescer não é tão fácil e nem tão divertido quanto ela pensou que fosse. E agora?! Ela cresceu. E não tem como voltar. E meu Deus, como ela queria voltar a ser criança... Mas não pode. A menina percebeu que a vida não é um mar de rosas como costumava ser na infância. Você não pode mais voltar correndo pra saia da sua mãe cada vez que cair e se machucar. Força, menina. Você vai cair e vai errar dez, cem, mil vezes. Mas é preciso ter foco, força e fé. Foco no que você quer, força pra você conseguir e fé para nunca deixar de acreditar. Sua mãe terá orgulho de você.
          Vai lá. Cresça o que tem que crescer, erre o que tiver que errar, acerte o que tiver que ser acertado. E, não se esqueça: Viva o que precisa ser vivido.
                                                                                                     Ana

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quedas, tombos e tropeços


       Por várias e varias vezes eu tentei andar na linha. Eu tentei fazer tudo certo. Eu tentei ser perfeita. Mas não. Não dá. Eu não consegui. Eu paro e pego um tempo pra pensar. E se a toda a beleza que existe não estiver nas coisas certas? E se ela simplesmente estiver nos nossos defeitos? Afinal, é errando que se aprende. É caindo que se aprende a levar. E cada defeito nos torna diferentes um dos outros. E se fosse absolutamente tudo igual, não teria graça alguma.
        Eu só sei que posso errar uma, duas, dez, cem ou mil vezes. Eu vou cair, eu vou levantar e vou aprender com isso. No fim de tudo a gente fica se perguntando: Porque não deu certo? E a resposta clássica e indiscutível: Não era pra ser. Então a gente tenta outra vez. E a gente vai tentando. Risque da sua lista a opção “desistir” e vai. Foco.
       É como aquela famosa frase: “E se eu errar? Ah, arquiva aí como experiência.”       
                                                                                                                Ana

Coleção de decepções


O que fazer então quando a paciência acaba? Quando a paciência se esgota? E quando toda a razão se vai? Se possível alguém me diz, porque eu não sei. Prometi pra mim mesma que esse texto não seria sobre você, e não será.
A questão é: Pra todo lado que eu olho, eu vejo pessoas sendo o que não são. Porra, é fulano mentindo, fingindo, enganando, magoando, decepcionando. E a dor disso é irreparável. As pessoas entram na nossa vida para construir algo, ou simplesmente para destruir. E a segunda opção é consequentemente a mais freqüente.
Ninguém é responsável pelas expectativas que você cria. Então, ninguém é responsável pelas decepções e tombos que você leva. Não culpe ninguém pelas conseqüências das suas próprias escolhas. Vai, idiota. Confia, se apega, se apaixona. Você que sabe. Mas eu já vou dizendo, o final já é previsto: Você irá tomar no cu.
E caramba, eu entendo muito bem disso. Confiei, me apeguei, me apaixonei, tomei no cu. E meio que, ele é o melhor ser humano entre os piores que já conheci. Ou o pior entre os melhores. Não sei. Vi pessoas que eu amo partindo. E doeu. Não no corpo, mas na alma. Droga, prometi que esse texto não seria mais um sobre você.
Enfim, o que eu espero é que se você tem um bom coração, não entregue pra qualquer um. Não se arrisque. Tenha certeza de que aquela pessoa é a certa. E se não for, pelo menos você saberá que vai valer a pena enquanto dure e que não será só mais uma decepção para a sua coleção.
Não se perca por causa de otários que passarão pela sua vida. Você merece muito mais que isso.

                                                      Ana.

Consequências: Parte III - Final.


Tudo isso era um sonho? Era um pesadelo? Pelo amor de Deus, eu fechava os olhos e torcia para que fosse. Mas, quando os abria, via as chamas, o horror e a realidade daquele lugar. Não, para o meu triste azar, não era nem um pouco parecido com um sonho, e estava longe de ser um pesadelo. Era muito pior.
Aquilo já estava durando meses. Eu estava no inferno, e Luke estava lá também. Eu havia matado ele. E agora ele estava atrás de vingança. Ele fazia o que quisesse comigo, eu ainda era completamente apaixonada por aquele moreno de olhos escuros e não poderia fazer nada para resistir ou impedir.
       Eu era o brinquedinho dele, uma boneca viva para ele, para que brincasse comigo e depois me colocasse de volta na caixa quando estivesse cheio. Literalmente. Luke me abraçava, me beijava, abusava de mim e me agredia, de todas as piores formas possíveis e depois me deixava de lado. Para meu alivio. Mas só até a hora de a brincadeira chegar novamente.
Eu estava cansada. Já estava farta de tudo aquilo. E a hora de acabar com tudo e com todas as brincadeiras da criança havia chegado.
Tudo na vida tem um preço. Quando ainda era viva, havia me apaixonado. Havia aberto meu coração para um garoto e tinha me dado mal. Luke havia me traído, eu o matei e agora estava ali, sofrendo todas as conseqüências. Eu era a culpada, e agora precisava dar um jeito de me livrar, de acabar com Luke e de acabar com tudo aquilo.
Eu seguia por um corredor escuro, iluminado somente pela luz fraca de várias velas. Não estava enxergando muita coisa, e acabei por tropeçar em uma pedra e caindo no chão. Havia cortado minha mão e o sangue estava escorrendo. Fecho-a com força para tentar cessar o sangramento.
O corredor por qual estava andando ficava cada vez mais estreito, até que cheguei ao final. No lugar em que eu estava havia seres com enormes asas negras e olhos completamente escuros sentados em uma espécie de meio circulo. Ao fim concluí que deveriam ser todos os demônios daquele lugar. E, exatamente no meio do circulo estava ele. Se não fosse pelos chifres e pelo rabo, não iria reconhecê-lo. Era o diabo. O chefe daquele lugar. E era exatamente ele quem poderia me ajudar.
Caminho em direção a ele, e paro exatamente em sua frente. O diabo levanta a cabeça e sinto seu olhar atravessar o meu corpo, me causando arrepios.
- Em que posso lhe servir, moça adorável? – Ele me pergunta.
- Preciso da sua ajuda. É o Luke, ele...
- Eu só estava brincando. – A criatura me interrompe. – Eu sei do que você precisa. Eu sei de tudo o que acontece nesse lugar. Você quer que eu dê um jeito de afastar seu namoradinho de você, não é?
- Ele não é meu namorado. Mas, sim. É exatamente isso. E por favor, faça. Lhe dou qualquer coisa em troca.
- Que seja. Pois bem. Você é corajosa de ter vindo até mim, então pensarei no que poderei fazer.
Ele disse isso e desviou seu olhar de mim. Creio eu, que estava pensando.
- Anne...  – Ele voltou a falar comigo, e aquela voz me causou um tremendo frio na espinha. – A sua sorte é que gosto muito de você. Acompanhei toda a sua vida. Vi todos os crimes, erros e bobeiras que você fez com a sua vida. Soube desde que você nasceu que você era pra ser uma das minhas. E que não iria demorar até que chegasse aqui. Pois bem, para todos, o Inferno é um horrível lugar de sofrimento e condenação. Mas você é a minha favorita, por isso lhe pouparei do sofrimento que ele lhe causa.
Prestei atenção em cada palavra que ele disse. Será mesmo que ele iria me ajudar?
- Já sei o que vou fazer. Sei como resolver isso para você. – Ele continuou. – A maior tolice que uma pessoa pode fazer é se apaixonar. E você acabou cometendo esse erro. E agora está pagando, não é mesmo? Eu sei. Enfim, vou parar de enrolar e vou direto ao ponto. Vou criar uma maldição.
A criatura se levanta e vai até o meio do circulo. Ao chegar, todas as outras criaturas ali presentes, homens e mulheres, se levantam e abrem suas asas. Fazendo um barulho terrível.
- Invoco todo o meu poder e toda a minha força para o meio desse circulo. – O diabo disse isso e tudo ao nosso redor se encheu de chamas. Ele olhou para mim. Pega a minha mão que ainda estava sangrando e usa meu sangue.  – Tudo o que você sentir, Luke sentirá em dobro. As suas emoções, sentimentos e dores são as mesmas que a dele agora. Vá, e você encontrará o jeito de acabar com ele. Isso foi dito por mim, e isso está feito.
Após ele ter dito aquilo, as chamas aumentaram e logo após se apagaram completamente. E tudo escureceu e desapareceu.
Acordei e Luke estava ao meu lado. Ele era muito mais forte que eu, então eu não poderia fazer nada contra ele. Mas, poderia fazer comigo mesma.
Eu corri, e inevitavelmente, ele começou a correr atrás de mim também. Naquele lugar, a única forma de iluminação existente eram as chamas de velas que ficavam em inúmeros candelabros. Quando Luke não estava olhando para mim, peguei a vela de um deles e encostei na chama, queimando o meu dedo. Senti a dor da queimadura e no mesmo instante, Luke gemeu e começou a esfregar a sua mão. Sentindo a dor de volta. Sim, a maldição funcionava mesmo. Eu ainda não estava satisfeita. Peguei a vela e passei por toda a minha mão, a dor das chamas sobre minha mão era imensa. E então, segundos depois, Luke gritou. Estava com queimaduras por todo o braço.
“Tudo o que você sentir, Luke sentirá em dobro.” Relembrei as palavras que foram ditas a mim.
        - Mas o que está acontecendo? – Luke gritou, e por fim, chegou até mim.
        E então descobri o jeito de acabar com tudo isso. Peguei o candelabro em que estava a vela e quebrei ao meio, fazendo uma espécie de lança.
        - Não chegue perto de mim. – disse a ele, apontando a lança para seu peito. Olhando em seus olhos que pareciam um abismo.
        Ele riu. – O que você irá fazer com isso? Você sabe que eu sou muito mais forte que você. Nem perca seu tempo tentando fazer algo contra mim, Anne... Me poupe.
       Ignorei suas palavras e então virei a lança contra mim mesma, colocando toda a minha força naquilo e enfiando-a contra meu peito. Senti a dor, cai de joelhos e todo o meu mundo começou a girar. No mesmo instante, Luke caiu no chão e começou a berrar de dor. Ele revirou os olhos e de repente ficou imóvel. Não se mexia mais. Senti o chão abrir e tudo desapareceu novamente.
        Acordei naquela mesma sala de antes. Todos os demônios olhavam curiosamente para mim e a criatura estava parada bem na minha frente. Eu estava deitada no chão e por fim levantei.
        - Parabéns, Anne. Você conseguiu. – O diabo se dirigiu a mim. – Acabou com seu namoradinho, graças a maldição que eu criei. Não, ele não esta morto. Afinal, todo mundo que está aqui já morreu. Mas, eu tranquei ele em uma das piores masmorras daqui, de onde jamais sairá. Ele ficara sofrendo com todas as suas memórias e lembranças, se arrependendo amargamente de tudo o que fez em vida. Para sempre. E você está livre. Parabéns outra vez. E lembre-se, tudo na vida tem um preço. Tudo o que você fizer terá uma conseqüência. Então, você já sabe qual é o preço que você terá que pagar a mim. Você sabe o que fazer.
        Ouvi atentamente todas as palavras que o diabo me disse. Sim, eu estava livre. Livre do Luke. Tudo havia acabado. Ou será que tudo havia apenas começado?
         Me dirigi até o final daquele meio circulo e sentei na única cadeira vazia. Fechei os olhos e uma sensação estranha tomou conta de mim. Todos ali presentes olhavam para mim. Me sentia diferente. Poderosa. E por fim, abri as minhas asas. Eram enormes e pretas. Aquele agora era o meu lugar. Para sempre. Eu havia virado um demônio.

                                                                                                          Ana


Leia a parte I: http://garotaanestesiada.blogspot.com.br/2013/08/consequencias.html
E parte II: http://garotaanestesiada.blogspot.com.br/2013/10/consequencias-parte-ii.html

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Monotonia


          Eu sinto que todos os dias são iguais. Me desanima, me deprime, me deixa pra baixo. Eu tento fugir disso, mas é tudo tão monótono. As mesmas coisas, as mesmas pessoas, os mesmos sentimentos.
          Me vejo perseguindo você novamente. Por que eu faço isso? Será que é tão difícil assim te deixar, te esquecer? Será que é tão difícil assim não pensar em você? As horas voam, os dias passam, e a vida segue... E eu me apaixono por você. De novo, e de novo, e de novo... Eu odeio. Tudo isso. São tantos pensamentos que não saem da cabeça. Eu tento viver sem você. E toda vez que eu tento eu me sinto morto. Eu sei que é melhor pra mim. Mas as vezes acho que prefiro você ao invés do melhor. E eu continuo perdendo todo o meu tempo insistindo no igual.
          "Como alguém que mora em um castelo nas nuvens, se apaixona por alguém que não sabe voar?"
          Então vou vivendo tudo isso. Dia por dia. Mês por mês. Ano por ano. Talvez um dia, quem sabe, isso tudo passe. E eu finalmente te perca, te esqueça e... Finalmente me encontre. Pra fazer tudo diferente e mudar toda essa monotonia. Mudar todo esse vazio que insiste em ferrar comigo todos os dias.
                                                                                                            Ana

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Me deixe ir


          No dia em que encontrei você, eu achei que poderia ser diferente. Mas, eu perdi o meu caminho. Você se foi. Ou melhor, você me deixou ir. Eu deveria ter te dito para você ficar, mas não disse. Me leve com você? Não. O que é verdadeiro não sente vontade de ir embora. E não posso te impedir, eu não sou perfeita, eu não sou um anjo, eu não tenho asas para voar para perto de você. Éramos você e eu. Parecia durar pra sempre, mas não foi assim. Só queria fechar os olhos e esquecer tudo o que aconteceu. Queria fechar os olhos e quando abri-los ver que tudo não passou de uma simples mentira. Ver que você ainda estará aqui comigo, como tinha prometido. Mas não. Abro os olhos e vejo que a mentira foi você. O tempo passa tão rápido mas nada é eterno. Todos cometem erros, e o pior erro que cometi foi você. É como se eu estivesse presa em uma caixa, ou em algum baú. E apenas você tivesse a chave para abri-lo. Já chega.
         Apenas vá, e me deixe ir...
                                                                                                      Ana

Parabéns, vocês a destruíram.

                                                                                           
         Ela tinha caído. Tinha desmoronado. Tinha sido pisada tanto que nem se levantava. O coração da garota foi tão quebrado, pisado e humilhado que, em cada canto por aí havia um dos cacos. A vida não é fácil. É só pra quem tem coragem. É pra quem tem sorte. Ou você pisa, ou você é pisado. Ou você corta, ou você é cortado. Ou você magoa, ou você é magoado. Não existe meio termo, não existe meio a meio. Ou você é forte, ou você é fraco. E ela tinha cansado de tentar ser forte. Não dava mais. Ela tinha jogado a toalha. Todo mundo fez ela de degrau. Pra pisar em cima e subir através dela. Era isso o que vocês queriam? Pois então parabéns. Conseguiram a destruir. Ela não existe mais. Ela se tornou apenas uma memória. Se tornou uma lembrança, que com o tempo será esquecida. Fim.
                                                                                                      Ana

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Fuga


          E eu acho que nasci pelo avesso... Eu sei o que é dar certo, e sei que isso não acontece comigo. Eu sou um problema, que não consegue ser resolvido. Tenho mania de esperar demais de pessoas de menos. Tenho mania de ter expectativas demais... De me iludir demais... De me ferrar demais. E eu sei, que nem sempre é possível concertar tudo o que eu fiz. Quero fugir. Vamos fugir juntos? Fugir desse acumulo de duvidas, incertezas, decepções e de todos os erros. Se eu for embora algum dia, será pra me proteger. Me proteger de tudo o que me atrasa e de todas essas pessoas apontando o dedo na minha cara e me dizendo que eu não sou capaz. Já chega, não é? Então fuja. Fuja comigo. Fuja daqui. Fuja pra bem longe. Pode não ser a melhor saída, mas irei fugir. E acredito que, algum dia, talvez, quem sabe, ficará tudo bem...
                                                                                                       Ana

Leitura



Hey, você aí. Você gosta de ler? Eu gosto. Eu amo. Ler é viajar sem sair do lugar. É sentir cada emoção de cada personagem de cada jeito diferente. É sentir o cheiro dos livros e se deliciar com aquilo. É sorrir e chorar com cada paragrafo, com cada história diferente, com cada personagem e com cada página virada. É chorar e "morrer" a cada final. Ler é uma experiência incrível. Exercita sua mente e melhora o seu ser, o seu interior. Minha mãe sempre diz: "Menina, toda vez você tá com a cabeça enfiada nesses livros, qual é a graça disso tudo?" Mas sabe ela que a leitura é a melhor forma de fugir dos problemas. Então, você aí, é, você mesmo, pare de cuidar da vida dos outros e vá ler um livro. Aproveite e faça parte da vida dos personagens de lá. Sorria, chore e viva junto com eles. A leitura é a melhor forma de ignorar a vida.
                                                                                                         Ana

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Escolhas


         E se você pudesse voltar no tempo? Apenas para concertar tudo o que falou, tudo o que pensou, tudo o que fez. Se pudesse voltar e fazer tudo diferente? Eu voltaria. Porém isso não é possível, não é?
         E se você pudesse ver seu futuro e escolher o que fazer? Se pudesse escolher de que jeito que sua vida vai ser? Se você pudesse ver tudo o que iria acontecer e ter a chance de mudar tudo? Eu escolheria. Eu mudaria. Porém isso também não é possível.
         E eu me sinto tão distante toda vez que eu me lembro do que aconteceu. Queria poder voltar para concertar, queria poder ter a chance de mudar tudo. Queria poder ter visto o que iria acontecer para simplesmente fazer tudo diferente e não deixar nada ocorrer daquele jeito. Mas eu não posso. E em relação a isso não há nada a ser feito.
        O tempo passou e eu percebi que nem tudo na vida é feito de escolhas. Nem tudo é do jeito que você quer. O destino quis assim e aconteceu. As vezes você aprende com seus erros. As vezes não. Ou você aprende, ou você se arrepende.
        E eu queria poder voltar no tempo, para ter a chance de não errar... De não me arrepender.

                                                                                                     Ana

Abismo


A beira de um precipício, um abismo, um lugar alto que parece não ter mais fim, parecido com aqui dento de mim. Um vazio interminável, algo inacabável, uma coisa inalcançável. Tem vezes na vida que você precisa de apenas um passo para acabar com todas essas duvidas, com toda essa indecisão, com todo esse embaralho de sentimentos que você não quer mais sentir. Você consegue ver o meu coração¿ Consegue ver o lugar escuro, gelado e sem sinal de qualquer vida que ele se tornou? Consegue ver o abismo aqui dentro? Eu também não consigo. Mas eu sinto. Eu acho que nasci pelo avesso. Nada mais se encaixa. É ruim. É triste. Dói. Não é mais suficiente. Quantidade infinita de coisas erradas em mim. A chuva cai e eu eu tento me misturar a ela. Em cima de um penhasco. A beira de um abismo... Resta só um passo. Só um pulo... Vai?

                                                                                                      Ana

Escrever


Por que escrevo? Eu não sei. Não é tão fácil pegar tudo o que você sente e colocar em uma folha de papel, ou em um documento do Word. Agora mesmo me vejo olhando para uma página em branco no Word sem saber o que escrever. Escrevo pra tentar tirar e organizar tudo o que tá jogado e espalhado aqui dentro. Não escrevo certo ou errado. Bem ou mal. Escrevo o que sinto, e nem sempre o que sinto é bonito.

                                                                                                   Ana

E esse é mais um sobre você...


E eu queria não pensar em você. Queria não escrever sobre você. E principalmente queria parar de me imaginar junto a você. Eu tinha 14 e você 17. Você vivia a vida do seu jeito e eu do meu. Sabe quando você faz tudo por uma pessoa? Então. Eu fiz, eu mudei tudo, e me arrependo. Aconteceu tudo por acaso, e acabou de mesmo jeito. Como uma bruxa ou uma fada com sua varinha fazendo tudo desaparecer. Plim! Acabou. Desapareceu. Já era. Fim. It’s over. Você era uma puta perda de tempo. Um tempo que eu perdia quantas vezes fosse necessário. Cada lugar, cada música, cada texto, tem um pouco de você e eu nem sei por quê. Eu ando perdida por aí, esperando a hora certa pra me encontrar. Pra conseguir me encontrar longe de você. Vivo por aí te esquecendo e te lembrando, te querendo e não querendo, te odiando e te amando. Eu finjo que te ignoro, te desprezo, te odeio e não corro mas atrás de você. Só que, mesmo não querendo, eu me importo com você. Mesmo não querendo, eu ainda procuro saber de você. Mesmo não querendo, eu amo você. E esse acaba sendo mais um pra você. Você, você, você. É tudo sobre você. Fazer o que?! E eu te peço... Se cuida. Porque eu já não posso mais cuidar de você.

                                                                                          Ana