Me
levanto da cama, como em qualquer outro dia, me visto, disposta a viver mais um
dia. Moro em uma fazenda, herdada de meus avós. A fazenda fica ao lado de uma
floresta enorme, que ninguém nunca entrou. Meus pais morreram em um acidente de
carro quando eu tinha meses de idade. Eu estava presente, mas, todos dizem que
sobrevivi por um milagre. Será? Ah, peço perdão, esqueci de me apresentar. Me
chamo Victoria. Estou com 18 anos agora. E pouca gente sabe de todas as coisas
que eu fiz
Saindo de casa, já atrasada para a
faculdade, sigo em direção a meu carro. Enquanto abro a porta e jogo a mochila
lá dentro, escuto alguns ruídos, sussurros, parecem vozes. Penso que pode ser
alguém me chamando, olho para a sacada da casa e ao redor. Mas não há ninguém
lá. Estou sozinha. Estranho. São vozes que ela não sabia de onde vinha. E então, entro no carro, sigo em direção a
faculdade e acabo esquecendo.
Já é fim de tarde quando volto. Fico
uma hora estudando, duas talvez... E então decido sair e tomar um ar fresco.
Aproveito e brinco um pouco com o meu cachorro.
- Vai Scott, pega! - Jogo a bolinha
para ele.
O cachorro vai correndo pegar a
bolinha, e a traz de volta para. Pego e a jogo mais uma vez. Dessa vez, por
obra do destino, ou por azar mesmo, jogo muito próximo da floresta. O cachorro
vai outra vez correndo pegar a bolinha, mas, por algum motivo, voltou correndo
com medo e entrou dentro de casa. Acho estranho, mas também engraçado, rindo
vou até lá pegar a bolinha do cachorro para guardá-la. E então, escuto os
sussurros, as mesmas vozes de antes.
"Venha... Venha até aqui..."
Procuro o lugar de onde vem o som.
Acho que pode ser o rádio de meu carro que possa ter esquecido ligado, um
celular perdido, ou qualquer outra coisa. E então, paro de procurar e fica
hipnotizada pelas vozes. As vozes vinham das folhas, dos galhos, das árvores,
da floresta.
"Shhh... Não diga nada a ninguém.
Apenas venha... Entre aqui... Shhh"
Uma força de atração me puxa para dentro
daquele lugar. Entro na floresta, e me deparo com uma clareira. Um corvo está
sobre uma enorme pedra, no meio dali. Um pássaro tão negro, tão... lindo. Me
aproximo, e então caio.
Fiquei
caindo por muito tempo, num abismo sem fim. Até que, cheguei ao chão. Minha
queda foi horrível, com certeza tinha quebrado todos meu ossos, ou pior, com
certeza a morte teria sido inevitável... E então, perdi a consciência.
Acordei em algum
lugar estranho, não fazia ideia de onde estava. Apenas levantei. Não sentia
nada, nenhuma dor. Até a minha dor de cabeça havia passado. Comecei a andar.
Minha cabeça latejava de uma forma que parecia que ia explodir. Parecia que meu
cérebro se revirava em minha cabeça.
Estava
tudo branco. Paredes brancas, chão branco. Corri as mãos pelas paredes lisas,
tentando achar alguma coisa, algum interruptor, mas não havia nada. Era um
lugar vazio, sem absolutamente nada. Tentei gritar, mas da minha garganta não
saía som algum. Uma horrível agonia me consumia. Continuei andando, até que cheguei
em algum lugar.
Examinei o lugar em que estava e o
desespero chegou. O céu era uma escuridão, sem estrelas. A única forma de
iluminação daquele lugar eram enormes labaredas de fogo. Por todo o lugar.
Fogo, fogo e mais fogo. Pessoas acorrentadas, outras pessoas gritando. Eu não
entendia porque, mas algumas estavam se divertindo. Mas eu conheci aquele
lugar. Era o inferno.
Ouvi uma gargalhada terrível, que
arrepiou todos os pelos da minha nuca.
- Vic, minha linda! Finalmente! –
Conheci a voz de imediato. Júlio. Ele estava aqui. Olhei para todos os lados,
mas não o vi. Até que, ele saiu detrás de uma labareda de fogo. Andava em minha
direção com um sorriso enorme no rosto.
Ah,
deixa eu explicar. Júlio é meu ex namorado, flagrei o mesmo na cama com outra
garota. Matei os dois, após ter cortado os órgãos genitais do rapazinho. Não me
julgue agora, no começo dessa história eu disse que nem todo mundo sabe das
coisas que fiz.
Droga! Saí correndo. Foi em vão, ele
apareceu em minha frente, do nada. Me empurrou com uma força extraordinária, e
voei em direção a uma parede de concreto. Bati minhas costas na parede e cai no
chão. Quando consegui me recuperar, olhei para o lado. Havia pessoas
acorrentadas. Algumas olhavam pra mim com um olhar terrível de desespero,
outras gritavam... Outras simplesmente não se mexiam...
Júlio
chegou a mim muito depressa e me acorrentou, igual as outras pessoas. Tentei
com todas as minhas forças me soltar, mas não consegui. Olhei para ele. Ainda
não entendia nada do que estava acontecendo.
- O que você quer? Eu não estou
entendendo nada. Por que estou no Inferno?
Ele soltou uma gargalhada. E então
olhou pra mim com desprezo.
- Aqui é o seu lugar, Victoria. – O
sorriso dele aumentou. Ele pegou meu rosto entre as mãos, e aproximou o dele do
meu. Podia sentir o hálito quente da boca dele. Por um instante, pensei que ele
iria me beijar. Mas, não. – É bom ver você, amor. Estava com tanta saudade...
- Me solte! Você é um traidor. É você quem vai
queimar no inferno. – Ele soltou outra de suas gargalhadas.
- Não sei se você percebeu, mas nós já
estamos no Inferno, doçura. – Ele me olhava nos olhos... Aqueles olhos, tão
escuros como um abismo. Um abismo em que eu me perdi. – Você é tão ingênua, Vic. Tão boba. Você mereceu. Não se deve confiar em ninguém. Mas isso não importa
agora. – O rosto dele continuava muito próximo do meu. - Você sabe o quanto
esperei por isso? Faz ideia do tempo que eu esperei pelo dia de você aparecer
aqui? O diabo prometeu você pra mim. E eu prometi que eu vou fazer você sofrer.
Nós temos a eternidade toda juntos agora.
E
então eu havia virado um brinquedo para ele. Comigo acorrentada, ele começou a
me torturar, abusar e agredir até que eu não suportasse mais. Desmaiava muitas
vezes, torcendo para que quando acordasse, tudo fosse um sonho e que ele não
estivesse mais ali. Mas, ele sempre estava. Desmaiando de novo, vi que meu
pesadelo acabara de começar.
- Ana

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