sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cicatrizes invisíveis

Se machucar, por vezes deixa uma cicatriz, na maioria das vezes profundas e que doem muito. Não falo das cicatrizes que são causadas por uma queda ou por um joelho ralado, falo das cicatrizes que não somos capazes de ver, mas somos capazes de sentir. São aquelas invisíveis, aquelas que estão dentro de nós mesmos, que só nós somos capazes de reconhecer. E não há forma alguma de fugir delas, porque a verdade é que elas estão aqui dentro. E nessas um band-aid, pontos ou algum xarope não resolvem. É preciso cuidado. E é preciso tempo para se curarem. E muitas vezes, algumas acabam não se fechando, ficam como cortes profundos que parecem não terem como serem curados ou costurados. Decepções, mágoas, lembranças, mentiras e desilusões são alguns dos motivos de tais ferimentos. E aí depois de tantos ferimentos e tantas cicatrizes causadas por eles, você começa a se cansar... Se cansar de cicatrizes que não se curam, que por mais que você tente, elas continuam ali lembrando de tudo que lhe aconteceu. De tudo de ruim, que lhe aconteceu, isso porque as coisas boas não deixam cicatrizes, e é por isso que conseguimos chorar mais de uma vez pelo mesmo motivo, e não conseguimos rir mais de uma vez de uma piada contada mais de uma vez. O tempo é o remédio? Talvez. Quem sabe. Com o tempo algumas feridas fecham deixando todas as cicatrizes ali presentes. E com elas, aprendemos que nada na vida é fácil e que depois de tantos tropeços, tantos tombos, tantas mágoas e decepções, podemos dizer que tivemos força. Que não desistimos. E que sobrevivemos. Cada cicatriz carrega uma dor, carrega uma história. Que só o seu dono pode contar.
                                                                                                        Ana e Carol

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